Isto
deixa-me confuso. Tu tens tantos defeitos. Embora as tuas qualidades sejam
infinitas e vastamente superiores às minhas, tu tens muitos defeitos. São
tantos que quase me cegam das tuas qualidades. No entanto eu vejo para além
deles. Consigo essa proeza e consigo ver o melhor que há em ti. Mas e quando só
consigo ver os teus defeitos? Começo a pensar que realmente são eles que te
tomam, são eles que te gerem. E com todos esses defeitos surge a verdade: Não
consigo confiar em ti.
Depois de tudo, não consigo. E esta é a coisa
mais difícil pela qual passei. Querer estar com uma pessoa sabendo que ela não
é de confiança. Compreender que vai acabar mal mas não conseguir evitar a
mergulhar de cabeça. Isto é o que sinto quando me falam de ti. E o pior é que
não o evito. Não deixo de te contar a minha vida toda sabendo que ficarei
triste porque a confiança não é mútua e nunca me irás contar a tua, nunca saber
quando dizes a verdade porque já me mentiste antes e mesmo assim confiar quase
cegamente em ti, não deixar de te fazer o que me pedes sem ter qualquer dúvida
que nunca o farias por mim, aceitar os teus convites sabendo que passarei para
segundo plano, etc.
Não consigo
evitar isto. Não aprendo com os meus erros. Sempre ouvi dizer que quem não
aprende com os erros está condenado a repetir o passado, e é a mais pura das
verdades. Tu és a segunda versão de tudo o que faz aversão. E nunca irei
compreender isto: como podes ser das pessoas mais importantes da minha vida se
não consigo confiar em ti?