Já não sei o que lembrar. Esqueci-me de mim, de ti, e de nós. Relembro os ecos dos toques, dos aromas, das imagens, de tudo o que vai escapando de mim aos poucos. E dói, dói tanto. Por vezes suponho que prefiro não relembrar, mas é inevitável. Tudo te trás de volta a mim, cada pequeno detalhe que julguei esquecido, cada imagem que vivia desfocada em mim.
Já não sei o que relembrar. Se as promessas ditas ao longo de anos mentirosos, ou se as palavras que te escrevo fingindo que as lês. Agora, mais do que nunca, vemos as coisas de diferentes perspectivas, e talvez nunca tenhamos visto de forma igual mas peço-te para que recordes. Peço-te que recordes a luz que expandia de mim de cada vez que te encontrava e te iluminavas comigo. Mas por agora, fico aqui no meu canto, pensando se de verdade ainda sei o que é lembrar, se ainda existe algo que me faça sair daqui.