Fizemos tantos planos. Sonhámos
sobre ir aqui e ali, durante um fim-de-semana ou talvez num final da tarde.
Disseste-me onde querias ir e eu prontifiquei-me a ir contigo. Não me importava
onde, só me interessava estar contigo. Eu e tu. Mas, afinal, os nossos planos
não eram nossos. Eram teus. Teus para partilhar com quem quisesses. Só
precisavas de companhia – não de mim. E sabes o pior? Tu disseste-me. Tu nunca
mo escondeste. Disseste-me que querias ir. Nunca me equacionaste.
Continuo a fazer isto a mim mesmo.
Desde que te conheço. Meto todos os meus planos de parte porque, na realidade,
já os faço moldados a ti. Pergunto-te primeiro, és sempre prioridade. Mesmo
depois de me teres dito que não precisas de mim – mesmo depois disso. E a culpa
é minha.
Tudo o que dizes sobre mim é
verdade. Sou fraco. Sou-o porque te permito fazer-me isto. Não o mereço. Devia
querer mais que tu. Devia querer mais do que me dás. Mas não consigo. Sou
fraco. Sou muito fraco.
Mereço melhor que isto, não
mereço? Talvez não.
27/08/2019