quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

before/after


Fizemos tantos planos. Sonhámos sobre ir aqui e ali, durante um fim-de-semana ou talvez num final da tarde. Disseste-me onde querias ir e eu prontifiquei-me a ir contigo. Não me importava onde, só me interessava estar contigo. Eu e tu. Mas, afinal, os nossos planos não eram nossos. Eram teus. Teus para partilhar com quem quisesses. Só precisavas de companhia – não de mim. E sabes o pior? Tu disseste-me. Tu nunca mo escondeste. Disseste-me que querias ir. Nunca me equacionaste.
Continuo a fazer isto a mim mesmo. Desde que te conheço. Meto todos os meus planos de parte porque, na realidade, já os faço moldados a ti. Pergunto-te primeiro, és sempre prioridade. Mesmo depois de me teres dito que não precisas de mim – mesmo depois disso. E a culpa é minha.
Tudo o que dizes sobre mim é verdade. Sou fraco. Sou-o porque te permito fazer-me isto. Não o mereço. Devia querer mais que tu. Devia querer mais do que me dás. Mas não consigo. Sou fraco. Sou muito fraco.
Mereço melhor que isto, não mereço? Talvez não.  


27/08/2019

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

listen (before I go)


Mandei-te mensagem. Há dois dias atrás, isto é. E o teu silêncio é gritante. A situação nunca se inverte, claro. Tu segues o teu caminho e eu não opino – mesmo quando dói. Mas, volta-e-meia, revivemos este déjà vu. 
Desapareces. E estando ou não, és caos. Ausentas, da minha falsa-paz, toda a felicidade que simulo. Esgravatas até ao meu âmago, rasgando tudo pela passagem, e fazes-me acreditar que a culpa é minha. E é, acredita que é.
Pode ser que, um dia, consigas perceber que não sou teu. E que, embora o culpado seja eu, que permito que intoxiques tudo em meu redor, entendas estas palavras: é tarde demais.
Não tenho mais para te dar. Sempre foste tu, sempre, mas entreguei-te tanto que me esqueci de mim. Por isso, deixo-te neste lugar em que te deixo. Onde vais ficar até que precises de mim, novamente, e onde eu estarei, sempre, mas não da mesma forma.
Mereço melhor que isto, melhor que tu.
Vou ter saudades tuas.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

till now.

Hoje sonhei contigo.
Há quanto tempo não escrevia estas palavras? Palavras que, num momento da minha vida, eram uma constante enraizada nos meus dedos. Que doíam a cada letra e que esmurravam violentamente o meu estômago.
Arrancaste tantos pedaços de mim que criaste isto, este meio-ser monstruoso e desumano.
E eu, que não antecipei as mazelas de te sonhar novamente, dou por mim a reviver este déjà-vu. Pensei que o tempo curasse tudo e pensei ter-te deixado num qualquer lugar em que ficaste. Estranho e desajustado. Quase que parece que, desde então, tenho andado à procura desse teu lugar. Mesmo que inconscientemente.
Sinto a tua falta. E só agora me dei conta.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020


E eis que, de uma forma ou de outra, nos vejo desta forma. Ou melhor, de forma alguma.
Fica por dizer tudo aquilo que dizemos. Nas entrelinhas, quero dizer. Falta o conteúdo, a substância. Falamos e falamos e pouco dizemos. Acreditamos que “isto” é comunicar mas, a verdade é que, pouco sei de ti e do que te rodeia. E vice-versa.
O que me dás, não chega; o te dou, não chega. Faz falta mais que este sentimento de falta. Cicatrizámos erros e cristalizámos esta inexistência de detalhes, de histórias, de tudo o que nos faz ser. De tal forma que, embora sejas a pessoa que melhor conheço, não te conheço de todo.
Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és, certo? …
Com quem andas?

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

eu


É-me difícil admitir isto. Como um comprimido difícil de engolir. Evito e evito mas acabo por cair nesta realidade: nada em ti me cativa – nada. A casca em que te tornaste, o teu corpo escanzelado, as tuas feições acentuadas e proporções desadequadas, a carência e falta de amor-próprio, a tristeza evidente que tentas mascarar, etc.
Pouco há para gostar em ti. Medíocre, incoerente, hesitante e ansioso. Poucos te conseguem ver como eu o faço. Poucos, porque poucos têm a paciência necessária para suportar os teus melodramas adolescentes.
Existes com o medo de ficar sozinho porque és demasiado sensível para deixar que alguém se aproxime de ti. Colocas-te nestas situações labirínticas e esperas que alguém as resolva por ti. Não enfrentas as coisa. És um imenso desperdício de espaço. 
E é-me difícil admitir isto. Como um comprimido difícil de engolir. Evito e evito mas acabo por cair nesta realidade: olhar ao espelho é incrivelmente difícil quando não se gosta do que se vê.