segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

trash


Tentei usar as minhas palavras em ti mas, tal como tu, elas não são.
Caídas por todo o lado, apanho-as ao acaso e tento reuni-las, numa esperança vã de que façam sentido – não o fazem. Tentei, então, gastá-las em outra pessoa. Mas, manchadas e desordenadas, também fizeram pouco sentido.
Não consigo passar para o papel os esgarrões do que ficou por dizer. Esta crua tempestade não me deixar dormir, não me deixa viver. Afogo em sentimentos, presos na garganta, que não permito. Então, por vezes, quando a vida me dói e não quero admitir que a culpa é minha, finjo que é tua. E por momentos, quase que fico bem.
Antes de me lembrar que todas as palavras que escrevo hoje, só o são porque um dia pegaste na minha mão e me ensinaste a tua caligrafia.  
Talvez, daí, as minhas palavras serem tão vazias…