Na verdade, não sei como chegou a
isto.
Tamanhas foram as vezes em que, no
negrume da noite, considerei o que tenho sido. Incerto, volta e meia, deixo-me
ficar neste labirinto que criei. Aguentando, totalmente perdido, o dia-a-dia rotineiro
que me foi entregue.
Acabo por me isolar mais do que
devia. Não falo. Não exteriorizo, não incomodo. Respiro o pouco oxigénio que
alcanço e sufoco com tudo o que não consigo verbalizar. Acumulo dores que me vão
pesando no peito.
Rasgo, em vão, a pele – tentando
limpar os vestígios de quem já me tocou – e forço-me a ser o que já fui. Se é
que alguma vez fui mais que isto…
Tem sido difícil. Só queria que o
soubesses.