quarta-feira, 20 de novembro de 2019

dor fantasma


E, então, tu deixaste-me. Foi como perder um pedaço de mim. Um pedaço de mim que, numa tamanha infelicidade, me foi arrancado sem tempo para reacção.
Não doeu. Não mais do que seria esperado. Foi como uma dormência que se instalou em mim, em todo o lado. Um vazio que me preenchia, centímetro a centímetro, empurrando e conquistando, formigando o fantasma no qual me havia tornado.
Mas, então, a dor alastrou-se. Alastrou-se e durou dias.
A dor fantasma? Ainda a sinto. Uma dor excessivamente forte no que perdi. Como se tivesses feito parte do meu corpo.
“Como se”…