E, então, tu deixaste-me. Foi
como perder um pedaço de mim. Um pedaço de mim que, numa tamanha infelicidade,
me foi arrancado sem tempo para reacção.
Não doeu. Não mais do que seria
esperado. Foi como uma dormência que se instalou em mim, em todo o lado. Um vazio
que me preenchia, centímetro a centímetro, empurrando e conquistando,
formigando o fantasma no qual me havia tornado.
Mas, então, a dor alastrou-se. Alastrou-se e durou
dias.
A dor fantasma? Ainda a sinto. Uma
dor excessivamente forte no que perdi. Como se tivesses feito parte do meu
corpo.
“Como se”…