quinta-feira, 28 de novembro de 2019

(no)feelings


Na verdade, não sei como chegou a isto.
Tamanhas foram as vezes em que, no negrume da noite, considerei o que tenho sido. Incerto, volta e meia, deixo-me ficar neste labirinto que criei. Aguentando, totalmente perdido, o dia-a-dia rotineiro que me foi entregue.
Acabo por me isolar mais do que devia. Não falo. Não exteriorizo, não incomodo. Respiro o pouco oxigénio que alcanço e sufoco com tudo o que não consigo verbalizar. Acumulo dores que me vão pesando no peito.
Rasgo, em vão, a pele – tentando limpar os vestígios de quem já me tocou – e forço-me a ser o que já fui. Se é que alguma vez fui mais que isto…
Tem sido difícil. Só queria que o soubesses.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

dor fantasma


E, então, tu deixaste-me. Foi como perder um pedaço de mim. Um pedaço de mim que, numa tamanha infelicidade, me foi arrancado sem tempo para reacção.
Não doeu. Não mais do que seria esperado. Foi como uma dormência que se instalou em mim, em todo o lado. Um vazio que me preenchia, centímetro a centímetro, empurrando e conquistando, formigando o fantasma no qual me havia tornado.
Mas, então, a dor alastrou-se. Alastrou-se e durou dias.
A dor fantasma? Ainda a sinto. Uma dor excessivamente forte no que perdi. Como se tivesses feito parte do meu corpo.
“Como se”…