quinta-feira, 18 de julho de 2019

Soldier On. VIII


Os anos foram passando, castigando cruamente quem teve o privilégio de te ter.
Nada foi o mesmo. Por vezes melhor, por vezes pior, mas a vida teve um jeito próprio de continuar – mais amarga e menos cintilante.
Não sei quem tenho sido desde então.
Pedi-te que olhasses por mim e pelos meus e perguntei-me, mais que uma vez, se terias orgulho na pessoa em que me tornei. Contei-te as minhas dores, como se não as tivesses presenciado, e fiz questão de te visitar sempre que possível. Mas a vida tornou-se dura, avô. E tu não estás cá.
Estás em mim – no meu sangue, na minha pele – e, mesmo assim, já não me lembro do timbre da tua voz ou do cheiro da tua roupa. E isso dói-me demasiado.
O espaço vazio que deixaste, deixaste por preencher. E em meu redor, tudo se moldou à tua ausência. Ainda não sei se para pior…
Continua a caminhar a meu lado, pode ser? Por favor.