quinta-feira, 9 de maio de 2019

febre


Do que passámos, só nós sabemos. E já nem eu sei de tudo.
Foi inocente. E, se quiser ser mesmo sincero, doentio. Começou de forma simples. E hoje, que já não é mais, não consigo dizer por que razão o foi. Mas sei dizer-te que fervia perto de ti. Eras uma febre que, por mais palavras que conheça, não consigo caracterizar.
Consumias-me. Violentamente. Delicadamente.
Questiono-me, muitas vezes, sobre o que fomos. E como isso nos fez o que hoje somos. Sem toda a dor que nos causámos, estaríamos aqui? Seriamos isto? É tão pouco o que sei sobre o irascível “E se?” que deixámos em aberto.
Ainda fervo, sabes?

segunda-feira, 6 de maio de 2019

tudo está bem.


Pouco sabia eu.
Naquele dia – em que o sol fustigava os meus ombros, em meados de Setembro – a minha vida iria imutar-se irreparavelmente. Não antecipei, confesso, encontrar-te. Mas assim foi.
Não dei importância, a princípio. No meio de todas as pessoas em meu redor, eras apenas mais alguém. Mais alguém, pensei eu. E pouco sabia eu. No final daquele ano, já eu seria mais teu que meu.
Mais teu. Menos meu.
Tem sido sempre assim, desde então. Tudo em meu redor, tem a tua presença. Mesmo quando estás ao meu lado; Mesmo quando não estás. E desde então não sei, ao certo, como agir quando te encontro fora do meu alcance.
Todos os dias são uma batalha. Todos. Mas há dias, dias como o de hoje, em que te sinto longe de mim. Como se fosses inalcançável. E são dias como os de hoje, em que não consigo controlar a falta que me fazes, que me fazem dar valor ao que encontrei quando te encontrei.
Pouco sabia eu. Naquele dia, sem estar à espera, encontrei-te. E desde então, tudo está bem.
Mesmo quando dói. Mesmo quando dói…


quinta-feira, 2 de maio de 2019

notice me


Não há meio-termo em mim. Ou escrevo porque me encontro lastimavelmente vivo ou, então, não escrevo de todo. E compreendo, agora, que isso não é necessariamente mau. Antes ausência de sentir que a dor de o fazer.
Mesmo que isso me doa ainda mais…