quarta-feira, 18 de julho de 2018

Soldier On. VII


Todos os anos se repete.

Procuro palavras para te entregar, para te mostrar que não te esqueci. E, todos os anos, te entrego palavras verdadeiras – pouco bonitas – de uma dor desmascarada. São cópias de sentimentos que colei a cuspo para te entregar. Pouco sei se elas te alcançam. Mas eu tento. Tento e volto a tentar que elas cheguem a ti, aí, de onde te encontras.

Posso dizer-te que hoje já consigo existir no teu lugar. Em paz. Como havias de gostar. Sem correr atrás do ar que me tenta fugir dos pulmões sempre que tropeço num pedaço de ti.

Dói menos. Muito menos. Fui perdendo a dor que és no labirinto que sou. E isso é bom. Deixei de perseguir fantasmas para perseguir a vida que idealizaste para mim. Tento sempre que tenhas orgulho de mim. Em todas as minhas atitudes, sempre.

Mas sei que nem sempre consigo ser o que esperaste de mim

Ambos sabemos que já não sei sentir. Nem escrever, aparentemente. Ou talvez, se quiser ser mesmo verdadeiro, apenas já não saiba escrever sobre ti. Não sei. Mas sei que me fazes falta. Muita, muita falta. Independentemente de o sentir ou não.

E só espero que isso seja suficiente para ti, avô.

domingo, 15 de julho de 2018

devia ir.


Estamos a perder-nos.
Cada vez mais longe um do outro. Ouvindo e cuspindo acusações. Magoando propositadamente sem remorso. O que é isto? Quem somos nós se tudo o que nos caracteriza deixou de existir?
Talvez estejamos a arrastar o inevitável com medo de nunca mais encontrar algo como isto. Ou talvez não haja uma razão aparente para nos causa tanta dor expecto a do sentir. E eu consigo sentir. Mais um passo para trás. Depois de outro e mais outro. Sinto-os. Tu não?
Quando te perder, o que será de mim? Não sou nada sem ti. Como podes não vê-lo? Como?