sábado, 23 de junho de 2018

silver lining

Há sempre algo que me falta.
Não sei bem como o descrever – uma persistente ânsia, um furo no estômago, um formigueiro qualquer – no entanto, é-me familiar. Nas minhas veias, circulando dentro de mim, retraindo um todo algo que me preencha.
Não sei como prosseguir. Nada me seduz. Que extrema falta de propósito. Uma firme luta entre o ser e o não saber o que ser. Deixo-me ficar. Vejo os dias galoparem por mim sem nada me dizerem. No que me tornei? Existo a meio gás.
Não sei ser feliz.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

privilege


Sabes que mais? Abdico de ti.
De ti e de toda bagunceira que trouxesse para a minha vida. Renuncio toda a bagagem que fixaste nas minhas costas sem demandar. Escolho não ter mais o peso do que és em mim.
Não te disse? Não te quero mais.
Estive contigo sem querer. Dentro de ti mas sempre fora do teu alcance.
Não percebes? O problema é meu. Eu que só consigo alcançar raparigas danificadas e estraga-las ainda mais.
E agora? Já não te quero. Totalmente disponível e totalmente minha. Minha agora que não te quero.
Inteiramente e indiscutivelmente o meu tipo.

terça-feira, 5 de junho de 2018

how not to fall.


Volta e meia estou aqui.
Neste sítio.
Onde finjo sair, onde finjo levantar-me.
Mas não. Demasiado vulnerável para compreender que a vida se esqueceu de mim neste beco sem saída. Deixou-me aqui. Com todos os meus fantasmas.
Neste sítio.
Onde me custa estar, onde quero ficar.
Que é de mim? A dor é-me inerente. E como não, se é tudo o que tenho?