terça-feira, 18 de julho de 2017

Soldier On. VI



Cada vez tenho menos para te dizer. Consigo não te sentir de todo e não sentir absolutamente nada por isso. Mas tu és a minha maior dor.             

Ainda não sei para quem escrevo, sinceramente.

Não sei se estás aí. Nem sei se me acompanhas nas caminhadas, nas quedas, nas palavras que te digo. Mas gosto de acreditar que sim. Gosto de pensar que tudo o que acontece de positivo na minha vida tem o teu dedo. Imagino muitas vezes o teu sorriso – aquele que já não consigo recordar – nas minhas conquistas pessoais. Vejo-me a dar-te uma boa nova qualquer e quase que te ouço a dar-me os parabéns.

Falo muitas vezes contigo independentemente de me ouvires ou não. E visito-te de igual forma, quer saibas ou não.

Peço-te sempre para que olhes pela Mariana e lhe dês a força que ela precisa para vencer na vida. Conto-te sobre o Tom e o quanto irias gostar dele. Falo-te sobre os meus pais e o quanto eles me destroem constantemente. Deixo-me desabar junto a ti. E falo-te das saudades que tenho tuas.

Consigo sempre ver-te, num sofá qualquer, com a Musa ao teu lado, ouvindo-me e sorrindo por me ter lembrado de ti. A verdade é que nunca me esqueço.       

Hoje vejo que a minha felicidade é muito como a tua foi – inconstante. Oscilavas entre um desinteresse abundante ou um êxtase indescritível. Nunca sentias a meio termo. Como eu, tudo ou nada. E os dias em que não sinto são sempre esmagados pelos outros. A dor é tanta que me impede de respirar – mesmo que eu não o demonstre.

Espero que me ouças.

Por mais distante que tenhas sido, por mais distante que hoje estejas.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

family feud



Sempre te confiei tudo de mim – desde trivialidades do dia-a-dia aos meus medos mais profundos. Tudo. Sem tabus ou omissões. Mas foi sem grandes surpresas que perdi e hoje vejo-me calado. Desculpei-te. Fizeste-me acreditar que a transparência não tinha de ser necessariamente mútua. Mostraste-me uma confiança unilateral e eu aceitei-a como algo normal.

Eu desculpei. Eu acreditei. Eu aceitei. Mas isso não é confiar.

Tens de aceitar que há coisas que escolho não te contar.”, Dizias-me tu. A mesma pessoa que mais tarde me punia por não querer contar uma qualquer situação. “Depois dizes que me contas tudo. Assim se vê.” Dizias-me tu. A mesma pessoa que apenas partilhava informação pré-selecionada.

E hoje estamos aqui.

Não sei mais confiar em ti ou tenho a necessidade de te contar eventos significativos da minha vida. Foi este o resultado da tua falta de confiança. Senti-me no direito dos teus segredos. Entreguei-te os meus. Mas tu não entregaste nada.

Não tenho de te contar tudo. Há coisas que não gosto de admitir nem a mim.”.
“Não te conto tudo? Ok. Então diz lá algo que não te tenha contado?!”…

Irónico, não achas? Por vezes acredito que dessa boca nunca sairá a verdade e questiono como pude confiar tanto em ti.

Foram muitas as vezes que duvidei do que éramos. Eras a pessoa em quem eu mais confiava. As tuas palavras chegaram a guiar a minha vida. Mas hoje? As palavras que não me contas deixaram de ter importância.