Já
estive aqui a escrever sobre isto, uma e outra vez – sou um fantasma. Como uma
sombra, eu sou sem que alguém me alcance. E só quero estar, existir. A minha
boca sedenta de qualquer contacto atira palavras ao chão só para que estas sejam
pisadas. Com a dor eu sinto. Sinto-a sempre sozinho, vendo a vida de outras
pessoas se desenrolar, enquanto me atingem com a sua felicidade. Eu tento
chegar a ela. Tento e falho, claro. As minhas tentativas são sempre fracassos
esfregados na cara. Não quero estar sozinho mas só conheço isto. É familiar, aconchegante.
Quando me jogo, caio sempre. Não há ninguém para me abraçar. Todos me abandonam
porque, na verdade, nada há para abrigar. Não os posso culpar. Quem poderia
querer albergar meia alma?
domingo, 28 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
homeiswheretheheartis
Ninguém
me conhece como tu. O bom e o mau; as minhas poucas qualidades e os meus
inúmeros defeitos; as ligeiras certezas e as infinitas inseguranças. Só me
encontro em casa quando estou contigo. Quando tudo me falha, sei que tu estás
lá, mesmo que as tuas falhas te caracterizem e me cicatrizem. Assisti ao pior
de mim pela tua mão mas volto sempre. Descubro sempre que entre a dor de te ter
e a de não te ter, escolho sempre ter-te do meu lado – ensinaste-me que a
felicidade também dói. Mas a que custo?
Isto
vai acabar mal, ambos o sabemos. Já percorremos este círculo e ainda não sei
das peças que perdi pelo caminho. E é por isso que volto. Acabo sempre por
achar que as apanhaste pelo caminho e que vais, finalmente, deixar-me completo.
Mas não vais, pois não? Ainda não é desta que nos casamos (porque finalmente me
convenceste a fazê-lo), temos o nosso puto e somos felizes para sempre, pois
não? Vou cair outra vez, eu sei que sim, e vai doer. Mas és a minha casa. Como
não voltar ao tecto que me tornou no que sou hoje?
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
O
meu problema é que todas as pessoas me abandonam. Todas. Seja sem querer ou
propositadamente. E se eu fosse a pessoa que finjo ser, permaneceria sem que
isso me incomodasse. Mas por alguma razão eu continuo a acreditar nelas e
nas suas palavras. Só me tenho a mim. Quanta mais dor preciso de sentir para
encarar a realidade?
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
given up.
Hoje
não és mais uma prioridade.
E
eu nunca pensei escrever isto, sabes? Mas um dia acordei e tinha-me habituado à
tua ausência. Eu tento, acredita, tento voltar atrás e fazer-te ser o que já foste.
Mas a vida continua, não é? E para onde fomos? Não sei de ti. Não sei com quem
estás ou por quem me substituis diariamente.
Parece-me
sempre que não te importas. Dou por mim a arranjar desculpas para falar contigo
e acabo sempre por ter pena de mim mesmo. Consegues lembrar-te do que éramos? Do
que já fomos? Sempre que olho para trás
arrependo-me. Eu tento e tento. Embora não possa dizer que somos estranhos, custa-me
ver que chegámos a isto.
Importas-te? A mim dói-me. Não sei o que fazer
nem o que ser. Os dias vão continuando. O teu desinteresse vai-se mantendo. O meu
esforço prossegue em vão. E o nosso compasso demorado segue em trajetórias diferentes.
Será
tarde para voltar? Não consigo sem ti. Queima, rasga.
Eras
tu. Eu não precisava de mais nada ou ninguém. O meu abraço tinha a tua forma. E agora?
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
wordless
O
sol está a pôr-se. A sala vai ficando mais escura e as vozes ecoam nos meus
ouvidos. Sinto-me sozinho. Perguntam-me se está tudo bem e minto sem disfarçar.
Não me apetece fingir. Nada está bem. Sou uma sombra – impossível de alcançar. A
cabeça lateja e os olhos pesam. Ontem não dormi e hoje não consigo dormir. As horas
passam por mim sem surpresa e tudo é a mesma solidão vagarosa. Todos me trocam.
Estou sozinho e não sei onde. Fico-me sentado sem conseguir mexer-me e vejo vida
sorrir para todos que não eu.
Quando
foi que respirar começou a doer?
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