domingo, 27 de setembro de 2015

script



A vida deu muitas voltas e tu não estás mais aqui. Fomos muito, não fomos? Colecionámos músicas e fotografias. Recortámos memórias e colámo-las nas paredes do nosso quarto – respirámos e vivemos.
Mas agora somos cicatrizes que marquei na pele por te ter perdido. Vagueio pelos cantos, fingindo sorrisos e vestindo uma cara amigável. Não restou nada depois de teres ido. Expecto o silêncio. Esmaga-me contra o chão enquanto todos se movem e continuam com as suas vidas.
Eu já devia estar habituado a isto, certo? Já vi vezes de mais a nossa história jogada aos perdidos e achados, sonhada e vivida por outrem, levada e conquistada. Mas nunca comigo, nunca connosco. Então eu vagabundeio por aí e carrego o silêncio que me deixaste. Engulo frases que não posso dizer em voz alta e a doce negação de tudo isto.
São só detalhes, momentos de uma vida a dois. Não é nada. Mas já foi tudo Era isto que querias ouvir?

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

the quiet



Nunca pensei que fosse assim, isto. Estes silêncios acumulados magoam-me tanto. Eles dizem-me que não sentes a minha falta. E quando não me procuras, a tua ausência pesa o dobro embora eu continue a ser só metade. O que é isto? No que nos tornámos?

sábado, 12 de setembro de 2015

limitless



As horas passam. Lembro-me de as sentir velozes sob nós. Eram escassas, sempre em contra-relógio. Nunca eram suficientes no seu egoísmo já característico. Mas agora teimam em abrandar. Tornaram-se infinitas. São dor, palavras não ditas, frases não ouvidas, momentos não partilhados e, acima de tudo, distância. São um abismo que cresce a cada segundo vagaroso que vinca no meu peito. Fazem troça de mim e do quanto arde não te ter na minha vida. Pensei que iríamos envelhecer juntos mas estava errado. Parece que a única certeza é mesmo o silêncio que as horas trazem enquanto não sei de ti.
Até ao fim do tempo, disseste-me tu. Lembras-te? Afinal parece que ficámos sem tempo…

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

see you soon



Só uma coisa sinto – vazio. Que ausência é esta? Dói tanto. Sinto que estou sempre sozinho, sem ninguém. Há sempre alguém que falta, alguém que arranca um pedaço de mim. Que o leva para um sítio qualquer e o deixa esquecido numa prateleira. E eu fico aqui, assim. Hoje tu foste embora e eu escrevi isto. Não sei para quê, não te traz de volta… Não sei. Acho que o que quero dizer é que vou morrer de saudades tuas e mal consigo esperar para sentir o teu abraço novamente. Agora quem vai gostar de mim?