domingo, 14 de junho de 2015

lean on



Como consegues? Desapareces tão completamente que chega a parecer que nunca exististe. Não há rasto de ti em lado algum. As poucas palavras bonitas que me dizes são frias e maquinais. Como fazes isso? Escondes-te de mim e levas contigo qualquer rasto de luz. Está frio. Está escuro. Não sei para onde me virar. Sou assim tão insignificante?

quarta-feira, 10 de junho de 2015

pilot mode



A dor de cabeça não pára e eu contínuo em modo automático. Acordo sem vontade de me levantar e enfrento os mesmos fantasmas que me perseguiram na noite anterior. Engulo o choro que me ficou entalado na garganta e ponho uma cara amigável. Saio de casa para fingir vida e convivo com pessoas que não quero. Após horas de trabalho maquinal, regresso e deito-me. A dor de cabeça não pára e a fome não me preenche. Só quero dormir. Mas a tristeza que acumulei ao longo do dia regressa em avalanche e não sinto mais nada. Adormeço cada vez mais cedo para tentar ignorar a falta que me fazes. Quando consigo fazê-lo é pela metade e as saudades mantêm-se. O dia começa, tudo se repete. E a dor de cabeça não pára.

terça-feira, 2 de junho de 2015

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Ainda não sei por que razão me assaltas os sonhos. A forma como chegas é tão natural que chego a pensar que nunca te foste embora. Mas sei o quanto dói regressar a casa e recordar o teu cheiro. Cada momento é-me tão familiar que parece ter acontecido ontem – como um déjà vu. A estranha sensação de calor e conforto que sempre me deste regressa em pleno e por momentos acredito não precisar de mais nada. Mas isso é uma mentira. Existe tanto que me falta.
E a cada mentira sinto que o vício da tua dor alojou na minha alma e não há nada a fazer. Esqueço-me dos sentidos e nem me importa o quanto a tua presença me rasgue e me deixe em carne viva. Quase que fico feliz pela dor que me deixas. Nunca tamanha tristeza representou tanta felicidade. E são nestas estranhas circunstâncias que percebo que és tu quem me faz mais falta.