quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
abdicar
Estou ao teu lado e já consigo
sentir a tua falta.
É
complicado, isto. Eu tento absorver tudo em nosso redor. Cada respiração
partilhada nos lençóis da cama, cada mão entrelaçada, cada palavra trocada na escuridão,
cada segredo dito no silêncio, cada música cantada ao ouvido, cada brincadeira
que só nós compreendemos – cada detalhe para visitar mais tarde. E vai doer. Eu
sei que vai. Mas não evito. Percorro estes momentos uma e outra vez. E faço-o
porque sei que nem toda a dor do mundo me faria abdicar deles. Vale sempre a pena,
sabes?
Mesmo
que já vá doendo...
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
feliz natal.
A
má sorte segue os meus passos. Toma todos os momentos que deveriam ser bons e
vira-os de cabeça para baixo. Eu fico sem saber o que fazer. Deixo-me ficar. Penso
no esforço que faço para ter um pequeno raio de luz e o quão em vão esse se
torna. Nada é como eu quero. Só quero desistir.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
blasé
Ainda
não sei. Mas em mim, a familiar dor de barriga, diz-me o que não quero – diz-me
que tenho razão. Já não é a primeira vez que quero estar errado. Talvez eu não
o demonstre. Talvez peque pela minha forma indiferente de encarar a situação.
Mas não me é indiferente. Por muito que o pareça. E só porque estou habituado a não
ter ninguém, a não ser a prioridade de alguém, não quer dizer que não doa.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
+-
Já
se passou muito tempo e as coisas mudaram. Já nem sei se me lembro de metade
das coisas – ou assim finjo acreditar – mas de vez em vez gosto de te
revisitar.
Vejo
toda a merda que fizemos. Éramos crianças
quando nos conhecemos e ainda consigo sentir o desdém que tive por ti a princípio.
Engraçado como tudo mudou tão rapidamente. Aliás como tudo em ti. Cresceu
rápido e morreu da mesma forma. Mas não podemos negar que deixámos a nossa
marca durante esses poucos anos.
Gostava
de me recordar das nossas últimas palavras. Talvez tenha sido um cumprimento jovial
ou uma frase partilhada numa conversa de grupo. Sei que foram palavras ocas,
disso tenho a certeza. Já éramos estranhos quando falamos pela última vez. E isso
é triste.
Ensinaste-me
muito. De muitas maneiras foste o exemplo que todos diziam que eu era para ti. Foste
muito para mim. Ainda o és. Ninguém vai ter o teu lugar. Mesmo depois de tudo o
que soube de ti. És o meu
único irmão.
E
é triste que apesar de tudo isto eu tenha de fingir que não te conheço quando
nos cruzamos na rua. Continuas a ser uma parte de mim. Ainda faria qualquer
coisa por ti. Não duvides disso. Aconteça o que acontecer, sejas tu quem fores – sempre.
(11.14)
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