Os
cortes acabam por sarar. Embora profundos eles camuflam-se na minha pele sem
que ninguém saiba que lá estiveram. Mas eu sei. E quando não sinto, quando
preciso desesperadamente de sentir algo, entorno o meu sangue. Sinto o ardor na
pele e tenho de me obrigar a parar. Quando nem a ligeira dor me faz sentir algo
relativamente significante eu tento e tento. Só quero sentir algo que não isto.
Este vazio congela. Afasto tudo em meu redor e só consigo estar com pessoas que
me são indiferentes porque não me importo de lhes mentir e dizer que está tudo bem.
Vou com eles a algum lado. Nunca paro. Não consigo ficar parado. Vou a qualquer
lado ou bebo qualquer coisa que me obrigue a parar ou esquecer. Sou fraco dessa
forma. E quando paro penso que os cortes acabam por sarar. Digo isso a mim
mesmo e tento acreditar que é só mais um. Ou dois. Ou três…