quinta-feira, 27 de junho de 2013

lost in translation



                Podemos falar? Dá? Para falar? Preciso de te dizer tanta coisa. Preciso de te fazer entender que tenho medo porque já me queimei antes. Preciso de te mostrar que nunca pensei sentir tanto a tua falta. Preciso de ti, basicamente. Eu no fundo sabia que quando não te respondesse, não farias qualquer tentativa para falar comigo. Isso magoou-me, claro, mas não posso negar que não o esperei. E tu sabes porquê, certo? Porque conheço o teu orgulho ferido. Conheço-o bem demais, quase como se fosse o meu próprio. No entanto, pensei que fosse diferente “desta vez”. Mais uma vez não consigo entender o que queres (se bem que a julgar pela falta de palavras seja bastante perceptível) e acabo por ficar quieto, esperando. Esperando pelo momento em que querias falar de novo e eu te explique que só preciso de uma prova.
Uma prova qualquer – venha ela em forma de palavras ou de actos – e nada mais. Qualquer coisa! E, quem sabe, se isto finalmente se torne naquilo que devia ser (mesmo que cheguemos à conclusão que isto nunca devia ter sido de todo).

quarta-feira, 26 de junho de 2013

thin line



                Só gostava que compreendesses que as minhas atitudes são um reflexo do passado. Afasto-me de ti porque tenho medo de repetir os mesmos erros de antes. Depois de tudo devias saber que bastava falares comigo e mostrares-me que estou errado para isto ser diferente.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

aversão



                Isto deixa-me confuso. Tu tens tantos defeitos. Embora as tuas qualidades sejam infinitas e vastamente superiores às minhas, tu tens muitos defeitos. São tantos que quase me cegam das tuas qualidades. No entanto eu vejo para além deles. Consigo essa proeza e consigo ver o melhor que há em ti. Mas e quando só consigo ver os teus defeitos? Começo a pensar que realmente são eles que te tomam, são eles que te gerem. E com todos esses defeitos surge a verdade: Não consigo confiar em ti.

 Depois de tudo, não consigo. E esta é a coisa mais difícil pela qual passei. Querer estar com uma pessoa sabendo que ela não é de confiança. Compreender que vai acabar mal mas não conseguir evitar a mergulhar de cabeça. Isto é o que sinto quando me falam de ti. E o pior é que não o evito. Não deixo de te contar a minha vida toda sabendo que ficarei triste porque a confiança não é mútua e nunca me irás contar a tua, nunca saber quando dizes a verdade porque já me mentiste antes e mesmo assim confiar quase cegamente em ti, não deixar de te fazer o que me pedes sem ter qualquer dúvida que nunca o farias por mim, aceitar os teus convites sabendo que passarei para segundo plano, etc.

Não consigo evitar isto. Não aprendo com os meus erros. Sempre ouvi dizer que quem não aprende com os erros está condenado a repetir o passado, e é a mais pura das verdades. Tu és a segunda versão de tudo o que faz aversão. E nunca irei compreender isto: como podes ser das pessoas mais importantes da minha vida se não consigo confiar em ti?

sábado, 22 de junho de 2013

discrepância



                Dizes-me que tens azar. Dizes-me isso de forma sentida e verdadeira. Não entendo como podes dizer uma coisa dessas. Tu tens tudo. Tudo é fácil para ti. Essa é a diferença entre mim e ti – ou melhor, a diferença mais acentuada. Somos muito iguais e passamos por coisas muito semelhantes mas nisto não, e deixa-me perplexo que acredites nisso. Tu tens tudo! Fico feliz por ti, fico mesmo, mas não consigo deixar de me sentir inferior. E é isso que me deixa assim. O pior começa quando tu evidencias essas tuas qualidades. Elas são tantas que o teu ego é, merecidamente, do tamanho do mundo. Mas, de forma brincalhona, rebaixas-me e mesmo que não estejas a falar seriamente (ambos sabemos que estás), magoas-me. Eu gostava que a minha vida fosse como a tua, gostava mesmo. O único azar que tens é porque o plantas. Tudo o resto te é fácil. Tudo o resto te cai aos pés. Até eu, quando não consigo mais fugir de todas as imperfeições que tu atinges tão certeiramente. 



(não te estou a culpar ou a tirar mérito a que tudo o que tens por direito, mas as tuas palavras são das que mais levo em consideração e tu repetes palavras que eu tento ignorar diariamente e que não me saem da cabeça. Esta discrepância – tu com tudo e eu com nada – só acentua os meus medos. É só isso.)

sábado, 15 de junho de 2013

happy endings



                Não tem sentido. Vens-me com conversas, enrolando os dedos no meu cabelo, dizendo-me que sou teu enquanto falas do nosso dia de casamento. Mas eu já ouvi isto antes. Sei os erros que se vão seguir e o quão ocas são as tuas palavras. E isso não tem sentido para mim. Como podes jogar tanto para o ar e esperar que eu não apanhe? Depois, quando pedes respostas e eu não tas dou, afastas-te como se tivesses o direito.
                Foi por isso que hoje, pela última vez, te disse que tinha sido a última vez. A febre que nos tocou durante tanto tempo arrefeceu. Já não sei se és aquela que considerei a mulher da minha vida. Deste-me tanto e agora que queres mais da minha parte, eu não tenho mais para te dar. Isso deixa-me triste, confesso. Tornamo-nos estranhos por muito que o tentes contrariar.
                As conversas já são rotina, as piadas perderam a graça, os momentos juntos são um despachar e a ligação de telepatia não existe mais. De tantas semelhanças que tínhamos crescemos diferentes. Quase que te peço para que fiques mas não sei mais estar na tua presença. Por isso, peço desculpa – hoje usei-te para te tirar do meu sistema, só para isso. Não te deixes enganar com aquele particular “final feliz”, já nem isso me deixa satisfeito…