sábado, 21 de janeiro de 2012

lazy sunday «3

Acordei com o cheiro de café navegando pela casa e soube que quando abrisse os olhos iria encontrar na mesa-de-cabeceira a minha chávena azul entre as velas de baunilha que me ofereceste para deixar o quarto perfumado como tu gostas. Era domingo. Espreguicei-me e abri os olhos com um sorriso enquanto ouvia a água a correr na casa de banho. Estávamos sozinhos em casa e tinhas deixado a porta do meu quarto aberta. Pouco tempo depois, após a água parar de correr e de ouvir a tua agitação enquanto puxavas a toalha para ti na simples tentativa de te aqueceres do frio do inverno, surgiste enrolada na minha toalha com um sorriso descontraído. Retribuí o sorriso e observei-te enquanto vestias umas calças de pijama e uma t-shirt minha.
Parece-me que estás comigo há imenso tempo. E pela primeira vez isso não me incomoda. Não o estranho porque somos iguais. Tu não me esmagas com o peso de sentimentos e dás-me o meu espaço. Sentes ciúmes mas só porque gostas da ideia de fazermos as pazes. Rimos muito um com o outro (e um do outro). Vemos muitos filmes, em casa, enrolados em mantas, ou no cinema, comendo pipocas. Saímos muitas vezes com os nossos amigos. Passeamos por centros comerciais enquanto eu escolho roupa para ti e tu para mim. Estamos juntos o suficiente para saber que nos importamos e não levamos a mal quando ambos temos actividades com outras pessoas. Tu não ages como se fossemos casados, tal como eu, e partilhas da minha opinião de que tudo o que é demais cansa. Mas, no entanto, não paramos de comunicar um com o outro. Não existem segredos entre nós e partilhamos tudo um com o outro. Conseguimos falar de todos os temas sem qualquer problema, falando de situações antigas ou de actuais, e concordar na maior das vezes. E quando estamos muito tempo um sem o outro começamos por onde ficámos, como se nunca nos tivéssemos separado.
Enquanto secavas o cabelo, em frente ao espelho que tenho na parede, olhaste para mim e sorriste. Pediste-me para parar de olhar para ti e eu respondi que não conseguia. E era essa a verdade. Nunca me tinha sentido tão confortável com ninguém. Nunca tinha olhado para uma pessoa e querer olhar mais e mais e mais. Puxaste o cabelo para o lado e fizeste uma trança, como eu gosto. Dirigiste-te a mim e entraste nos lençóis empurrando-me para o lado da parede.
- Bom dia. – Disseste dando-me um suave beijo.
- Bom dia. – Retribuí agarrando-te com força, aconchegando-te em mim – encaixando-nos na perfeição.

domingo, 15 de janeiro de 2012

the first song about you

Lying on the absence of ghosts I seek to you to find me again
And even though your words can’t reach me anymore
Please, speak so I can hear your voice again.
I’m falling backwards repeating the story of how we came to this
I’m falling on your dust again and it doesn’t make any sense.
I know I’m damaged, I know I’m a broken timepiece
I’m the handful of nothing you planted on me.
But that doesn’t matter, doesn’t matter anymore
Cause I can’t remember but I can’t ignore
The time you said with a heartbreaking golden smile
“I’m the ghost you’ll die for.”

14.01.12

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

nothing lasts

Em mim existe toda a confusão do mundo e não consigo dar-te mais do que isso – não sei que há mais para dar. E, em contra partida, nas minhas mãos está tudo o que me deste e eu não sei como o guardar. Deixo pelos cantos, caído, todo esse sentimento que me ofereceste porque não sei como segurá-lo. Eu sou assim: não compreendo esse tipo de coisas. Não o faço por mal. Perdi tanto que não resta mais nada. Mas antes que te vás embora gostava que me compreendesses. Se te devolvo toda a minha confusão é porque me entreguei a ti de forma completa. E se tu não consegues ver para além deste meu gesto é porque chegou a altura de largar de vez tudo o que me entregaste. Posso não compreender o teu quente coração mas consigo ver quando o meu vazio destrói a tua alma. E ninguém merece isso. (especialmente tu.)
M.S.