terça-feira, 28 de junho de 2011

I swear you like when I'm in pain.

Os teus pés caminham até mim. Eu olho mas instintivamente desvio a cara, finjo não te ver. Ignoro os sinais já comuns da tua presença denunciada pelo desconforto na minha barriga e continuo a conversa. Sei que fizeste o mesmo, que fingiste não me ver. E é pelo melhor. Enquanto as tuas gargalhadas perseguem a minha audição, eu ouço, finjo-me de surdo e escuto calado. Fujo das memórias tenebrosas que me invadem e também me ponho a rir descontroladamente tentando contrariar o súbito tremer do lábio. Mas logo, quando dou por mim, vejo-te a partir para longe, da mesma forma que antes e não consigo evitar sentir uma ponta de saudade tua. Ou algo semelhante a essa sensação, pelo menos. Revelaste-te incapaz de me ser indiferente, tens essa exclusividade. A vitória é tua e eu aguento – porque, na verdade, não há mesmo mais nada a fazer.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

the pier

Sem saber para onde correr, enquanto ouvia aquela triste melodia, parei. Olhei para o rio e o vento tocou-me na pele. Senti a cara molhada e fria, endurecendo como pedra enquanto o sol se punha no horizonte quente e alaranjado. Doendo, os meus pés dormentes desistiram e deixei-me ir para um sítio que desconhecia. Tudo seria melhor que isto. Tudo me faria sentir melhor que isto. Fraquejei quando tentei aclarar a garganta e tossi descontroladamente irrompendo em lágrimas. Nas minhas mãos, o mundo que eu tinha criado, ruía mergulhado nas lágrimas que eu tentava controlar. Então tocas-me no ombro e arrefeces-me. Não te consigo olhar, não assim. Abraças-me porque sabes o quanto me dói ver a preocupação estampada na tua cara e não dizes uma palavra. Subitamente tudo parece ligeiramente melhor, agora que ali estás. O teu toque dura infinidades enquanto a triste melodia que ouvia se altera para uma agridoce. O sol põe-se finalmente, o vento pára de soprar e tu desapareces porque, na verdade, nunca ali estiveste. Eu sinto então as saudades que tenho tuas e o quanto me dói lembrar-me de ti. O cais parece parado embora a multidão ainda continue passando e olhando para mim com um ar céptico. Inexpressivo, noto que por muita que seja a minha dor, a que tu me infringes consegue curá-la. Porque, por alguma razão e por algum momento, o teu toque foi verdadeiro e ele deixou marcas de felicidade que embora doam nunca se deixarão substituir por qualquer outra dor. Limpando a cara quase seca, comecei a marcha lenta que me iria fazer regressar a casa. As estrelas já brilhavam, fortes e radiantes, querendo todas elas ter a luz que os teus olhos tinham quando olhavam para mim…

M.S.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

pesadelos+mil IX

Foi de um local tanto ou pouco importante que tu surgiste. Usavas roupas que me eram familiares e o teu sorriso ainda parecia ser uma constante na minha vida. Disparadas como balas surgiram palavras que me magoaram, mesmo sem terem o teu comando. Tu riste-te – uma gargalhada sonora e com gosto que me deixou boquiaberto – e, como seria de prever, menosprezaste as palavras e tornaste-as alvo de chacota. A sensação que me deu foi a de desconforto. Não sabia como reagir perante um silêncio que imaginava vir a acontecer, não sabia como suportar a presença fantasmagórica em que te havias tornado. Então, sem qualquer explicação, e como seria de esperar, afastei-me. Este meu muro, o que se ergueu em meu redor, surgiu para me proteger de ti. Já me envolve há bastante tempo, sem me permitir sequer olhar para os teus olhos e ergueu-se quando destruíste os meus sonhos mostrando-me que um simples gesto tinha o poder de ruir o mundo. O problema foi que, ao erguê-lo, mais ninguém conseguiu atingir-me. Olham para mim mas nunca me conseguem tocar realmente. Foi nisto que me tornaste, algo inatingível e frio. E a cada dia que passa eu enfrento a memória crua, rasgando ferozmente os teus vestígios, assim como a ideia de que, ironicamente, tenhas sido a melhor pessoa que conheci. Estás feliz agora?

quarta-feira, 15 de junho de 2011

true blood

Mesmo sem te ver, consigo sentir o teu corpo gelado chamando o meu coração (...). Acorrentado dolorosamente, não olho para a tua face de quem já não é, com medo do que irei sentir. Tento escutar o teu coração mas dele só ouço uma repercussão. Nada te preenche, já não… Mas, por muito que me custe, irei sempre suportar toda a tua dor, porque, por mim, um dia, já choraste sangue. E, para mim, nada nem ninguém merece as tuas lágrimas. Mesmo que estejas num sítio que já não conheço, mesmo que sejas alguém que já não compreendo. Irei sempre sacrificar a minha vontade pela tua (embora penses o contrário). E não sei dizer isto a mais ninguém se não tu.

M.S. 14 de Junho de 2011

terça-feira, 14 de junho de 2011

sempre tu.

Num sopro magoado de quem cumprimenta alguém que já não conhece; num dia suado de marés tardias e tempestuosas; num toque arrepiado de uma lágrima cristalina – surges tu. Enorme e quente. Castigando cruelmente cada segundo de oxigénio puro e fresco que dilacera o peito. Contando histórias de quando um dia desejou a uma estrela e tudo lhe foi concretizado, abandonado de seguida os dias passados até então. Ensinando que se deve guardar na memória os momentos mais sentidos mas que não se lhes deve tocar porque a dor destrói-os. Ficando em apatia, numa marcha triunfal, torturando quem não seguiu cada passo dado. Evitando as palavras que outrora o silêncio não ensinou a calar e que agora gritam em ecos para que se façam ouvir. Engolindo a seco, tamanho orgulho, para que o esquecimento seja rápido e doce. Fugindo porque perdeu o seu porto de abrigo e, agora, não sabe onde ficar. És tu, sempre tu.

M.S. 13 de Junho de 2011

sábado, 11 de junho de 2011

running

Sempre foste de correr em círculos e há coisas que nunca mudam, não é?