terça-feira, 26 de abril de 2011

soulless

Levas contigo, descuidadamente e sem desculpa, num bolso qualquer, o que restou de nós. Não sentes o seu peso querendo estagnar. Embebedes uma nova alma, reinventas as palavras. Não te alcanço nem pela metade – não me chegas e deixo-te ir. Não voltarei a encontrar alguém como tu, bem sei, mas isso não me impede. Torturas, magoas e rasgas. Para onde foste; Tu, com a minha metade? …




M.S.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

2vd

Por momentos, e por alguma razão, esqueci-me de que a vida iria continuar o seu rumo. Imaginei-a exactamente como a deixei – como se parasse por eu a ter abandonado. Acho que, no fundo, apenas quis bloquear essa ideia da minha mente para que não me custasse tanto, ou para não caísse em fantasias traiçoeiras. Enganei-me. Agora sinto o sabor da saudade preso no céu-da-boca de cada vez que, sem querer, esbarro em algo que deixei para trás. Como pude pensar em esquecer algo que ocupou tanto da minha vida e que, por vezes, a completou totalmente? Nunca o conseguirei fazer, e isso destrói-me inteiramente.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Só ainda não consegui entender como é que podes acreditar que se te afastasses, por alguma razão, de forma abrupta, eu me iria aperceber disso… - 24 de Março de 2011

domingo, 10 de abril de 2011

heartless

Destruída sobre a mesa está a tua presença e todos os pedaços miseráveis que encontro por aí. Juntei-os o melhor que pude, conservei-os para me relembrarem do que hoje és e esperei que uma mão cheia de boas memórias fossem satisfatórias para salvar o nosso doce passado, mas não foi o suficiente. São raras as coisas que não te invocam. Misturadas no dia-a-dia surgem e rasgam tudo o que guardei. Gritam-me palavras aos ouvidos que me magoam sem querer e em tom de brincadeira tentam aligeirar a tua ausência. Mas eu não ouço mais nada. Fico ferido sobre os novos pedaços miseráveis que encontrei. Ontem foi assim. E se eu soubesse o paradeiro do meu coração, juro que o teriam ouvido parar de bater.

M.S.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

(...) here we are again, circles never end ...

E, quando as horas me custam tanto passar, eu, sem querer, procuro-te – como que uma opção que sempre esteve no fundo do meu pensamento mas que tentei evitar. No entanto, quando te encontro, vejo tanto e vejo tão pouco. Não consigo decifrar bem em que fixa o meu olhar. Pareces-me a mesma pessoa embora a tua aparência tenha sofrido alterações, mas também me pareces uma pessoa totalmente diferente. Alguém que perdeu tudo o que me fazia ficar fascinado. Escolhes palavras estranhas e um diálogo trocado surge. Eu ouço com um silêncio incaracterístico meu e tento descobrir onde estás. Não demora muito. Esboço um sorriso demorado aquecido por todas as tardes em que nos perdemos no sol da praia. Recordo por instantes todas as noites em que te ligava e ouvia a tua voz de bebé adormecido, ou o quanto eu gostava de acordar com uma mensagem tua. Não foste fácil de encontrar, tenho que admitir. Nunca esperei encontrar alguém tão semelhante a mim e depois de todas as incompatibilidades, surges tu. Mas agora o feitiço quebrou-se e tu já não és a mesma pessoa. Se ao menos tu soubesses as saudades que tenho tuas…