quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

2010

(...) Sim, tudo mudou. Nem para melhor, nem para pior. Mas se tiver que continuar assim, não é inteiramente mau. É apenas diferente.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

the last dream.

Por ler palavras que queria que tivessem sido nossas, escrevi outras em que tu não participarias ou saberias. Li-as como que embebido num estado febril. Elas doeram de verdade como se tivessem mesmo sido ditas por ti. Parecia que estava a recordar alguma coisa que ficou num baú, guardado num canto de um sótão qualquer, embrulhado num lençol empoeirado. Escrevi então para acalmar a ânsia de saber que nenhum texto consegue superar ou explicar na totalidade o que já fomos. E porque me foi dito que os sentimentos estão acima das palavras, eu tentei encontrar-te nelas. Trazer de volta o cheiro primaveril que existia no ar sempre que tu entravas numa divisão, o calor com que o teu sorriso me envolvia e todas as peripécias que nos formavam. Mas, no fim, eu desisti de repetir palavras. Deitei-me no que quis que me tivesses dito e sonhei uma outra vez. Sonhei com a última vez que sonharia contigo – e esse foi o melhor sonho da minha vida.
M.S.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

ironia.

Há tanto tempo que isto não me acontecia – Perder aulas inteiras a pensar em ti. Durante horas encontrei memórias que me deixaram cego. Não consegui ver mais nada para além da tua monstruosa presença. Tão esmagadora, tão imponente e tão sem sentido. Perdi o rumo enquanto me via, como que do lado de fora, com um sorriso melancólico de quem se tinha perdido pela milésima vez e pouco se importava com isso. E passado todo esse tempo entendi que não tinha pensado em ti o suficiente. Contudo, embora não tenha sido o suficiente, nem chegou a ser meramente satisfatório. Tanto fez pensar em ti ou não. Continuas longe de tudo. Longe do meu céu, das minhas estrelas, do meu calor. E sim, eu podia muito bem ficar horas a pensar em ti sem me queixar, mas não sobreviveria. Cada segundo que perco a pensar em ti faz-me esquecer de que me roubaste o oxigénio e quão difícil é para mim tentar agarra-lo.
E, no final, não me posso deixar de rir desta ironia. Como me pudeste ensinar a viver se te esqueceste de me explicar como o fazer sem ti?


M.S.

sábado, 4 de dezembro de 2010

m-

Eu não queria isto. Eu não queria sentir saudades tuas, daquilo que fomos. Pensei que, ao ler as palavras que tantas vezes escreveste para mim, permaneceria firme dentro desta minha armadura de gelo (que também tu ajudaste a criar) e que não recordaria na boca o doce amargo sabor da tua presença na minha vida. Tornaste-te numa pessoa que eu apenas ouço falar, como um conhecido que evitamos na rua para não ter que cruzar o olhar. Mas mesmo assim, eu senti a tua falta. E senti a dor percorrer-me o corpo e deixar na barriga um pequeno frio por ver o quanto nos ferimos e o quanto os nossos passos em falso se traduziram em saudade. Foi positivo. Sentir saudades tuas é melhor do que sentir indiferença por aquilo que te tornaste. Foi bom recordar que um dia já conheci a tua alma e que bastava olhar-me ao espelho para te encontrar. Mas só porque caí no erro de sentir momentaneamente a tua falta não quer dizer que vá experimentar mais uma vez a tua dolorosa presença. Não muda nada. Tu ainda estás aí, onde não te quero ver ou encontrar, e eu aqui, tão longe de ti… - 18.07.10

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

faixa 12: Time

O tempo passou, não foi? Continuou a sua marcha, passo a passo, até nos colocar no sítio de hoje – longe demais. Subiu as paredes dos nossos sonhos e deitou-as a baixo. Apagou o nosso chão, fez-nos perder nele sem conseguir destapar o caminho de volta. Fez pulsar de alegria o nosso coração, e retirar logo de seguida toda essa ilusória esperança. Abateu o nosso espírito e tornou-nos nisto. Gigantes de uma era perdida, almas dantes. Perdidos em lugar nenhum, esperando…


M.S.; 24 de Julho de 2010