Eu estaria a escrever uma mensagem, contando os minutos impacientemente, lendo cada palavra com desespero pela perfeição, querendo fazer-te entender toda a verdade. Mas, entretanto, muito aconteceu pelo meio. E embora continue a escrever para ti porque foste importante demais para que este dia passasse em branco, tudo o que tenho para te dizer são ecos. Ainda espero que te encontres bem e que, genuinamente, sejas feliz, mesmo que tenhas sido a maior desilusão da minha vida. Hoje pode ser o teu dia, mas isso não muda nada. Parabéns.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
sábado, 27 de novembro de 2010
Mas tas (...) ? 07
(...) Por esta altura, há três anos atrás, eu descia uma ruela qualquer, envolvido em inúmeros pensamentos e absorvido em tudo o que não te dizia respeito, quando o destino deu de si e encontrei aquela frase infernal. Nunca mais fui o mesmo. ...
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
fogo
O teu nome tem sempre a estranha tendência de circular sobre o oxigénio que respiro. Ouço-o, como se fosse a última vez, e fujo. Contorno-o como um obstáculo e repito-o com uma falsa naturalidade. Quase que o cuspo. Arranco-o do peito como alguém que finalmente cedeu a uma lesão duradoura e deixo-o caído no chão. Fico então sem a noção do tempo. Tanto me importa se ele foi cuspido há três séculos atrás ou se acabou de ser. Rara é a vez em que a ténue indiferença se nota na minha voz amargurada – não é contigo que falo, mas é a ti que me dirijo – e é sempre com controlo que faço desaparecer o ligeiro pesar do fogo que me queima. Mas eu sinto-o, e sinto até demais.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Dreaming. II
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Suspeitei que a casa estava deserta quando vi que não se encontravam carros nas traseiras da mesma. Abri o portão com uma alegria momentânea e perdi alguns minutos no quintal, brincando com a cadela, antes de criar estofo para entrar em casa. Naquele sítio, logo o tempo retrocedeu e dei por mim entrando no carro com uma sensação de desconforto alojando-se no fundo do meu peito. Ia ganhando a consciência do esforço necessário e questionando se realmente deveria estar a percorrer aqueles quilómetros para chegar a casa. Dentro de pouquíssimo tempo estaria ali, em casa, e, naqueles tempos, isso danificava-me. Se não tivesse a noção de que acabaria com a minha vida, teria aberto a porta do carro em andamento e fugiria pela auto-estrada, de volta a um local que nunca pensei querer estar. Abri a porta de casa e o cheiro familiar fez-me sorrir. A cadela correu atrás de mim, dando voltas entre as minhas pernas, chegando à cozinha primeiro que eu. Atravessei o corredor e entrei pelo quarto a dentro, ignorando os sinais visíveis de que alguém tinha lá dormido, alguém que não eu. As horas passaram e com o chegar da noite, também o clima hostil se demonstrou. O silêncio era enorme embora, naquele momento, uma família inteira estivesse ali. Sem acender as luzes, percorria aquele chão, manchado de pegadas invisíveis, com cuidado para não fazer barulho. Qualquer som poderia eclodir numa explosão de palavras magoadas que acertariam como flechas. Cada passo dado falava por mim, atirava para o ar uma palavra e formava aquela tão cruel pergunta: Vim de tão longe para isto? Eu não queria estar ali, e nunca teria imaginado que estas palavras invadissem o meu pensamento. Tudo o que eu queria era paz, entrar e sentir-me verdadeiramente em casa, sem preocupações, sem egoísmos, sem erupções de raiva porque não consegui aguentar mais. Voltei atrás e fechei-me no quarto, naquele silêncio tão horrendo. Inspirei fundo, acalmei-me e sorri, mais uma vez, obrigando-me a lembrar-me que se nem na minha casa eu queria estar, não havia mais sítio para mim. E talvez não haja mesmo…
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
pesadelos+mil V
Desta vez foi diferente. Embora a noite se tenha mantido igual a tantas outras e o sono continue a ser o mesmo, o sentimento que tu deixaste não o foi. Fosse qual fosse a razão, tu sempre me trouxeste uma colossal paz de espírito que era seguida pela incontrolável e cruel dor de acordar. Eu guardava sempre um resto desses sonhos, com egoísmo, como que querendo recordar mais tarde a parte de uma história que simplesmente não chegou a acontecer. No fundo de mim existia sempre a hipótese infantil de que um dia esses sonhos se tornariam realidade independentemente da dor que provocariam mais tarde, pois, eles valeriam sempre a pena. Mas, desta vez foi diferente. Tudo o que guardei foi um nevoeiro de visões que quero apagar de mim, que mancharam a tua pessoa e confirmaram (embora ficticiamente) suspeitas que eu já tinha. Um veneno viscoso que enfraqueceu mais uma vez o que foste. Custa-me tanto aceitar que a cada sonho que assaltas, mais distante te manténs. Desta vez foste como uma pessoa que eu não cheguei a conhecer na totalidade, e isso doeu mesmo muito. Por outro lado, talvez tenhas sido apenas uma estranha forma de dormir ou de acordar. (e quem devo culpar por ainda tentar acreditar em ti?)
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