terça-feira, 14 de setembro de 2010

bittersweet

Após sentir o corpo a tremer com o que podia aí vir, o alívio evidenciou-se. Seguiram-se os telefonemas de felicidades, mensagens de força e apoio, e as palavras de carinho e orgulho. Mas os festejos não duraram muito. Toda aquela felicidade inicial começou a ser sombreada por sensações contraditórias. Este meu chão começou a escapar apesar de ter os pés bem assentes nele, como uma contagem decrescente. Senti as saudades crescerem apesar de ainda estar no mesmo lugar de sempre. Perguntei-me: Se agora é assim, como será quando tudo o que conheço começar a fugir? … Perguntei-me mas não soube responder. Supus que ter medo do desconhecido fosse algo normal e tentei agarrar-me àquela felicidade que emanava pela casa. Mas, agora, a poeira já assentou. O ar já me começa a parecer outro… Para onde vou?

12.09.10

domingo, 5 de setembro de 2010

ptt

Por vezes agarro no telefone e vou ver o teu número. Olho para ele e reparo na antiga fotografia que lá te identifica. Quase que te ligo, quase, mas não chego a ligar – não saberia o que dizer, ou pior até, não saberia se havia algo a dizer. Vou então ler as mensagens que guardei tuas e penso em mandar-te uma mensagem escrita. Começo por escrever palavras aleatórias. Palavras que, no fundo, sei que nunca irei enviar por já terem perdido o seu sentido; mas isso não me faz parar. Por vezes tenho tantas saudades tuas que escrevo tudo o que te disse, e até o que me disseste, só para relembrar o que senti quando o escrevi e o enviei realmente. No fim, acabo por apagar todo aquele palavreado sem sentido. O teu número continua intacto, misturado com todos os outros, como se não tivesses qualquer importância. Ambos sabemos que não é assim e se eu tivesse guardado a coragem que me entregaste há uns anos, ligar-te-ia e ficaria calado para que o nosso silêncio perdurasse mais um instante e acabasse finalmente. Mas, tu já não existes. E por isso, desta vez, eu apaguei o teu número, as tuas mensagens e a infecção que é a tua presença. Agora fico à espera, ansiosamente, para que um dia precises de mim e te lembres que algures, no meio de todos os teus contactos, o meu número de telefone ainda lá está. Misturado como todos os outros, sem importância, esperando por um sinal teu. Esperando e desesperando, até ao dia em que uses a coragem que te entreguei há uns anos e também o/me apagues.