segunda-feira, 30 de agosto de 2010

II

(...) Desculpa se nunca foste o centro do meu mundo, desculpa se a minha vida tem muitas bases e tu não és uma delas. Nunca conheci ninguém assim, como tu. Alguém tão errado sobre a sua vida, sobre mim - embora no teu caso, ambas sejam a mesma coisa. ... - 6 de Agosto de 2010

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

até sempre...

É tarde de mais, não é? Agora, nada do que eu diga vai apagar o que me fizeste. Nada irá mudar o facto de tu teres sido a maior desilusão da minha vida. Eu sei que devia ter arranjado a coragem necessária para quebrar o casulo que construíste em meu redor e libertar todo este acumular de palavras que ainda habita em mim mas não foi isso que eu fiz. Eu continuei preso em ti. Já nem conseguia olhar para teus olhos, que antes me prendiam ao chão, mas abandonar-te era algo que, na altura, me parecia impensável. Tornou-se numa ideia repugnante que me fazia sentir sujo e indigno de ti. E no entanto, eu conseguia ver tudo o que éramos a desaparecer a olhos vistos. Foi nessa altura que me tentei libertar para te acordar dessa estranha vida que agora vivias sem mim. Mas eu estava atado a cordas que, sem saberes, me enforcavam. Então, eu deixe-me ficar, sem coragem para me mexer com medo de voar para longe de ti ao invés de voar para ti, para te trazer de volta a mim. Quando finalmente deixaste afrouxar o teu poder, eu levantei-me e olhei pela primeira vez em muitos anos para os teus olhos. Não os reconheci. Pensei em dizer tudo o que tinha ficado entalado na garganta com o passar do tempo mas não encontrei essas palavras. Vi que tudo o que tinhas sido tinha desaparecido por completo. Tinhas-te, de facto, tornado numa outra pessoa. Fixei-me em todas aquelas cruéis diferenças e fiquei, mais uma vez, mudo. Até hoje, até sempre...

M.S.; 12 de Agosto de 2010

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

13.08.08

É estranho, eu sei. Até eu admito isso. Ser capaz de recordar ao mais pequeno pormenor acontecimentos da minha vida, e em especial os que me magoaram, é desnecessário. Não me traz qualquer espécie de felicidade, pelo contrário. Doem-me e deixam marcas invisíveis na minha pele. Transbordam sentimentos que levei a tentar reter e fazem-me sentir outra vez tudo o que não queria. E hoje, neste dia que me recorda um pormenor que obteve uma magnitude infinita em mim, sinto a dor da profunda marca que deixaste na minha pele e eu sei que é estranho. Tudo em ti é estranho e consequentemente, em mim também. E sim, ainda me consegues magoar, até eu admito isso…

sábado, 7 de agosto de 2010

an-honeSt-miStake

Foi assim que aconteceu. Tu puxaste-me contra ti, agarrando aquela minha t-shirt de riscas horizontais amarelas e cinzentas, e roubaste-me um beijo. Um beijo suave mas com uma paixão confusa de quem sabia o erro que estava a cometer. Foi um erro, venenoso e cheio de espinhos mortais; mas nunca um erro havia trazido tamanho êxtase. Agarrei-te pelos braços e encostei-te a mim, encaixando o meu corpo ao teu. Não afastei os meus lábios dos teus, não fugi da tua língua com sabor a morango, pelo contrário – procurei-a. Afaguei o teu cabelo meio suado pelo calor daquela noite de Verão, e afastando-me, abri os olhos e procurei as profundezas dos teus. Sorriste, envergonhada, e esperaste. Segurei-te na mão, levantei-me do muro onde estávamos sentados, andei sentindo a pele lisa da tua mão e, sem falar, convidei-te a deitares-te comigo na areia fria daquela praia agora vazia. Deitados lado a lado na areia, olhamos a lua cheia e sentimos a brisa marinha respirar. Foi um erro, amargo e cheio de feridas dolorosas; mas nunca um erro havia trazido tamanha satisfação. Rolei sobre ti e colei mais uma vez os meus lábios aos teus. As tuas mãos percorreram o meu corpo e senti-te despindo-me a t-shirt, como se precisasses de sentir a minha pele, de cheirar o meu calor, de provar o meu suor. Peguei nela e pu-la por baixo de ti para que não sentisses frio. No entanto, tu sentaste-te, olhando-me ferozmente e com um sorriso agora nada envergonhado, e despiste a blusa decotada que trazias colada ao corpo. Queria ter prestado atenção à blusa decotada que trazias. Queria ter prestado atenção à sua cor e agora poder descrevê-la, mas naquele instante só tinha olhos para ti. A minha atenção era tua e tu sabias disso. Deixaste o meu olhar percorrer os teus ombros, contar os sinais que tens nos seios, encontrar o teu delicioso umbigo. Ao contrário do que pensei, o meu coração abrandou. Acalmaste-me por meros instantes, enquanto me encontrava num sentido de vigilância sobre ti, e foi só quando te senti em cima de mim que voltei a recuperar a frequência cardíaca. As tuas mãos alcançaram o fecho das minhas calças ao mesmo tempo que eu te subia a minissaia que tinhas meio vestida, meio despida. Foi um erro, surpreendente, forte, inesquecível; mas acima de tudo, aconteceu e ainda bem. Ainda bem que naquela noite decidimos errar os dois, juntos, mais uma vez.