M.S.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Hierarquia.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Dias sem ti.
Sentei-me naquele canto sujo onde o tempo se mascarou com teias de aranha e com o pó de tudo o que ficou, e deixei-me ficar encostado ao que quis ouvir de ti. Estes dias têm sido difíceis. Não quis olhar em meu redor, sabia que estava no meio daquela escuridão que tão fortemente me deixaste gravada na memória. E, se olhasse para os vestígios que tinhas deixado naquele canto, tudo iria abater em cima de mim numa avalanche de sentimentos que passado todo este tempo ainda não consigo controlar. Entrei em modo de apatia – aquele que odiavas com todas as tuas forças – e olhei para a tua pessoa. Aquela pessoa que mesmo sem ali estar me conseguia dizer mais do que tu alguma vez disseste. Deixei-me ficar ali, perdido no que perdi, e soube/sabe tão bem. M.S.;27 de Janeiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
luzpesada
Acordei. De manhã ouvi-te a bater levemente na minha janela. Despertei com um tímido sorriso nos lábios de quem já não te via há muito tempo. Despertei do sonho em que entras permanentemente. Levantei-me preguiçosamente e abri-te a porta pela qual entraste inúmeras vezes. Reconheci-te com o meu sorriso, o meu olhar, a minha pessoa. Falamos como quem nunca deixou de falar e ao chegar à cozinha enchi uma taça verde com uns cereais que não guardei na memória. Fui para o quarto, pesadamente, abri a janela inundando-o de ar puro matinal e de luz ofuscante. Era tão cedo. Sentei-me na cama por fazer, quase despido quase vestido e olhei-te sentado na cadeira azul, em frente ao computador. As tuas palavras reconfortavam o meu ser e acordavam a melhor pessoa de mim. Pousei a taça verde na mesa-de-cabeceira e preparei-me para ir tomar banho. Troquei mais umas palavras contigo, palavras essas que nunca esperei serem as últimas, e levantei-me da cama batendo desastradamente na mesa-de-cabeceira. Ouvi-te na aflição, vi a taça verde dos cereais que não guardei na memória partir-se no chão, saltei assustado da cama. Acordei. De manhã não te ouvi a bater levemente na minha janela. Despertei com a profunda e insuportável tristeza de quem já não te vê há muito tempo. Despertei do sonho em que entras permanentemente. M.S.
domingo, 24 de janeiro de 2010
Post-Scriptum
M.S.;2009
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
21deJaneirode2009
Já passou muito tempo desde aquela noite, mas não há um único dia em que eu não trema de dor quando me levanto da cama. Aquele dia ditou o fim. Já não consigo sentir para além da dor. A música que me corre nas veias e fluía pelo meu corpo vê-se agora incapacitada, forçada a ser contrariada. O amor que tenho pelo meu desporto, pela minha segunda casa, pela minha antiga família, diminuiu vertiginosamente. Não posso ser eu. Não posso sonhar. E há dias em que mal posso andar. Foi este o dia em que me obriguei a deixar de sentir. A única coisa que ainda me conseguia fazer sorrir tinha sido tirada de mim sem que houvesse algo a ser feito e isso foi o suficiente. Pela última vez eu vi que sonhar era para outra pessoa que não eu. Perdi o meu escape, o que me tirava da realidade e me fazia sorrir. Os meros aplausos já não obtêm o antigo brilho nos olhos de agradecimento, e ter que os receber é um esforço que já não me enche de orgulho. Agora, cada vez que eu tento sonhar, a dor que sinto todos os dias traz-me de volta à realidade. E ainda não sei o que me dói mais…
‘(…) é uma pena. Tens tanto potencial. ‘ – 16.01.10 :)
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
inseparável
Sinto-me inseparável a esta dor que me perfura o peito quanto te vejo a percorrer os caminhos que te levam até mim. É uma dor doentia que me satisfaz a dor de não existires; sublime como o escorrer do teu perfume pelas minhas mãos manchadas de insignificâncias e como o suor que produz o tremer do meu corpo que não te sente. domingo, 17 de janeiro de 2010
OFF.
Escrevo uma frase. Apagado. Escrevo uma palavra e antes de a terminar, apago. Quando finalmente consigo escrever um conjunto de palavras que façam o mínimo sentido, elas não me dizem o que quero ler. Então, apago tudo novamente. Paro durante uns cinco minutos, e recomeço as palavras que te quero contar (Sim, porque as minhas palavras são sempre tuas) … Não escrevo nada. A folha permanece em branco e eu dou por mim a pensar que não há muito mais que eu te possa dizer. Não há mais nada para te contar. Não existes mais. E se por um lado fico morto por não saber onde te encontrar, por outro reencontro o caminho para a vida que me tiraste. Volto a tentar. Não consigo. Desisto, por fim. A folha continua em branco.
M.S.; 11 de Janeiro de 2009
sábado, 16 de janeiro de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
até amanhã.
Não sei que horas são. O silêncio é imperial no meu quarto e nem consigo ouvir a respiração ofegante que toma conta do meu peito. Estou a suar. Suores frios. Dizem ser estes os piores… (ainda) Não sonhei contigo, aliás nem me permitiste que adormecesse. Tento deixar uma lágrima cair mas ela recusa-se. Não sinto alívio. Fico escutando as palavras que o teu silêncio me diz e não resisto a cair nele; habituaste-me tão bem a ele. A qualquer momento o sol deve começar a dar de si e eu irei limpar os vestígios que mais uma vez deixaste
M.S.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Sei que não fizeste/fazes por mal, mas a mais pequena frase tua ainda me consegue estragar um dia completo. Uma simples frase, das mais simples, derruba qualquer tipo de felicidade que eu possa ter
sábado, 2 de janeiro de 2010
meudeserto.(epílogo)
O vento soprou. Soprou forte trazendo a areia que me envolveu de forma irregular, colada ao meu corpo suado. O sol abrasador queimava os poros e fazia os meus olhos frágeis lacrimejarem. Olhei para o céu, enfrentando o sol. Não havia nuvens, agora tudo era claro. Levantei-me devagar, respirando o ar puro que por vezes ainda me consegues dar. Caminhei. Deixei mais pegadas marcadas na tua pele. Mas o vento, que me empurrava para longe de ti, voltou a soprar. Desta vez deixei que apagasses tudo o que estava marcado em ti e não quis ser a concha que espera pelo seu mar, eternamente. Enquanto caminhava sobre ti evitei a tua areia movediça que me prendeu durante anos. Estava em paz contigo, meu deserto. Deixei que o teu vento me guiasse e me levasse para longe, até sentir a areia escassear por baixo dos meus pés. Continuas a existir, altivo, preso
M.S.

