(não me disseste nada, então não digo nada de ti.)
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
mesmo que...
Vejo as pessoas cobertas de roupa, agasalhadas ao máximo para se precaverem do desconforto gelado. Tem estado frio, pelo que ouço dizer. Não o sinto. Consigo ouvir o vento a correr pelas árvores quando me deito e a chuva a maltratar o chão do meu quintal. Tem estado mau tempo, pelo que ouço dizer. Não o vejo. Nestes dias são poucas as coisas que não me lembram a tua existência. São estes os dias que relembram os abraços que aqueciam o frio que sentia, e que me protegiam do mau tempo que se avizinhava. As frias ruas em que vagueio contrastam com o teu calor natural e provocam-me arrepios. Tornaste-me frio. Frio que desespera pelo teu calor. Nestes dias eu entendo que preciso de ti, de existir contigo; simbiose. São estes os dias em que reparo que sentiria sempre a tua falta, mesmo que nunca te tivesse conhecido de todo – mesmo que sempre tivesses sido o nada que hoje és.
M.S.; 25 de Dezembro de 2009
sábado, 26 de dezembro de 2009
eventualmente (achas?)
Achas que tenho orgulho em falar de ti no passado; no tempo verbal errado? Achas que gosto do sabor amargo que o teu nome deixa agora na minha boca? A água (ao contrário do que possas pensar) não leva o teu gosto, não. Ela piora a sede que tenho de ti, ou melhor, do que eras… E achas que continuo a tentar apagar o sabor que deixaste gravado em mim? Não, até disso eu já desisti. Hei de me habituar a sentir a tua falta. Um dia, eventualmente.
M.S.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Feliz Natal :)
Maybe this Christmas will mean something more
Maybe this year love will appear
Deeper than ever before
And maybe forgiveness will ask us to call
Someone we love
Someone we’ve lost
For reasons we can’t quite recall
Mmm, maybe this Christmas
Maybe there’ll be an open door
Maybe the star that shined before
Will shine once more, ohhh
Mmmmmmm, mmmmmmmm
And maybe this Christmas will find us at last
In heaven, at peace
Prayed for at least
For the love we’ve been shown in the past
Maybe this Christmas
Maybe this Christmas
Ron Sexsmith » Maybe This Christmas
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
2007/2008
Não te culpei. Joguei as mãos ao ar e desisti de ti, como se não houvesse mais nada a ser feito; como se a culpa tivesse sido minha. Absorvi essa culpa de te ter perdido e permaneci em silêncio, escondido entre sorrisos e gargalhadas que não diziam nada. Não doeu muito, como eu esperava. Não doeu de todo. Simplesmente deixei de racionalizar a tua falta, a tua existência. Deixei de respirar o mesmo ar que tu mas, desta vez, os meus pulmões já não ameaçaram explodir do meu peito. Não vi mais de quem era a culpa e foi assim que aprendi a olhar-te sem sentir o peso da culpa derrubar-me para o chão. Um dia, quando conseguir falar contigo sem que o meu rancor te atinja, eu vou dizer-te que sinto a tua falta. Vou escutar as tuas palavras e sentir-me embalado mais uma vez nos nossos sonhos. Não te culpo. Agradeço-te; já sei respirar sem ti.
M.S.
domingo, 20 de dezembro de 2009
TunelVision.
De que importa o que sinto? Tanto te faz se ainda considero imperdoável o que me fizeste (e ainda fazes) ou se, de uma forma totalmente contraditória, eu ainda morro só para tentar ouvir a tua voz. De que vale ouvi-la se for para me negar, para me magoar?... De que importa lembrar? Tu certamente que não te lembras e fazes questão de o repisar. De que vale relembrar a tua voz se ela já não sabe dizer o meu nome?... Só eu sei que és (e sempre serás) a memória mais viva de um tempo que não existiu; mas nem tento que o saibas. Prefiro que permaneças sem conhecer o vazio que provocaste em mim e que continues com a tua “visão túnel” que só te faz ver em frente, bloqueando tudo em teu redor. Prefiro que vivas sem ter que me responder. Não quero receber nada de ti, nem mais uma resposta vazia. Prefiro estar sem saber o que é de ti a saber que tudo o que foste desapareceu sem mim. E, afinal, de que vale uma pessoa que já foi tanto e em meros actos se consegue apagar a si própria?...
M.S.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
buraco negro
És um buraco negro. Sugas tudo em teu redor; Abrandas o tempo. Puxas-me a luz que com tanto esforço tento criar e deixas-me na escuridão de ti. És um vácuo, um vazio infinito que me tortura. És nada, no meio desta escuridão, e mesmo assim és mais forte que eu.
M.S.; 25 de Novembro de 2009
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Faixa 08 - Fistful Of Sand
Desde o primeiro momento que te vi, que te conheci, soube que me ias magoar… mas não me importei. Nunca te dei nada, nunca te pedi nada, nunca esperei nada de ti e tu soubeste que esta era a minha estranha forma de te tornar o meu tudo. Mais tarde, criei expectativas em relação a ti e julguei-te como a mão que sempre me iria levantar; foi assim que comecei a cair e foi assim que não te encontrei em lado algum. Não passas da minha (particular) personificação de desilusão e não te culpo. Fui eu quem te tornou no que és para mim mesmo quando exigi que fosses insignificante. Falhei e ainda me vejo a cair sem encontrar aquela mão que eu criei para me levantar. Continuo, e continuo, e… não vejo um fim.
M.S.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Sufoco
Dizes-me na tua voz fraca, São as minhas palavras que te ensurdecem. Tento escutar e o silêncio manifesta a tua ausência. Dizes-me, então, na tua voz fraca, Contaminei o teu ar e já não sei respirar onde quer que seja. Noto que o ar é escasso e o meu coração abranda. Calas-te e não dizes mais. Dos teus olhos uma lágrima cai no chão molhado que descalço piso e acorda o silêncio. O ar regressa. Foste de vez.
M.S.; 21 de Outubro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
M' (Mitologia de Memórias)
Senta-te aqui ao pé de mim, pelo menos. Deixa-me encostar a cabeça no teu ombro e deixar escorrer as nossas lembranças. Opostamente ao que fomos, adormeço na dor. Mergulho em sonhos do que já quisemos ser, abrindo portas por onde não fui antes. Ouvi-te, pensando que se tão longe te encontravas, para quê chegares tão perto ao ponto de me fazeres sangrar. A ilógica superou-me. Escrevi. Acordei, para um novo pesadelo; um novo dia. Olhei para ti, (já) não choravas. Olhaste apenas. Já percorremos longos caminhos, já não somos o mesmo. Separamo-nos por entre estradas que não conhecíamos e sim, estamos muito longe. Mas, por mais quilómetros que estejas de distância de mim, não consigo ignorar quando ainda sinto o teu ombro na minha face. Esvaziei tudo, não houve mais memórias por esta noite. Só tu e eu, num canto nosso. Já choraste comigo, hoje limitaste a ver-me chorar, e não fazes mais nada. Continua a olhar, e vê-te em cada gota que cai dos meus olhos. Persegues-me para todo o lado, tornando cada novidade num hábito já passado, só nosso.
Calei as palavras que te quis dizer. Todos os segredos foram mais uma mentira que propuseste sem querer. Se tens que ir vai, mas fica um pouco mais. Volta por momentos com o que fomos. Chora comigo, ouve-nos, faz-nos sorrir como só tu consegues, por favor. Deixa-me ser feliz contigo uma última vez, depois vai e contigo leva o meu coração. Já não vou precisar dele.
(Texto publicado na revista “Domingo” do Correio da Manhã, na semana de 21.09 até 27.09.08)
domingo, 13 de dezembro de 2009
não fales mais
Se ao menos as minhas palavras conseguissem prender esse monstro que vive dentro de ti, devorando cada pedaço meu… Se ao menos as tuas palavras me permitissem respirar o mesmo ar que te faz viver, inundando de alegria cada pedaço teu… Mas não é assim. As nossas palavras não existem. O que tens dentro de ti continuará a ferir-me não importa o que diga, e nada me fará respirar o teu precioso ar. Já não há nada a ser dito, por mim ou por ti. E, desta vez, nem o nosso silêncio falará.
M.S.; 11 de Dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Ausente. (Parte 2)
A noite estava particularmente gelada quando saí de casa. A cacimba acomodava-se em cima dos carros, as ruas por onde eu passava eram estreitas e livres de luz. Apertei o casaco até ao topo e ajeitei o cachecol que por pouco não me enforcava, sentindo as minhas mãos frias tocando-me levemente no pescoço. Sabia que estava frio pois conseguia vê-lo na minha respiração acelerada, mas não o sentia. Caminhava rapidamente sem um destino definido enquanto olhava para a lua que ofuscava as poucas estrelas que eram visíveis naquela noite. O meu telefone começou a vibrar, mas não o quis ver. Não haviam palavras que me curassem a tristeza que sentia. Estava frio, muito. Pontapeei uma pedra que apareceu no meu caminho e senti a dor no dedo do pé mas não me queixei. Sentia muito pior naquele instante. Mais que aquela dor, mais que aquele frio. Nada mais importava. O mercúrio apoderou-se de mim de uma forma completa apesar de o meu sangue pulsar num furioso compasso. As tuas palavras não me diziam nada, finalmente. Eras pó, uma cinza que quis jogar ao vento e deixar à mercê do seu destino. Naquela noite particularmente gelada deixaste de ser o que quer que tenhas sido. Deixaste saudades mas não (me) deixaste arrependimento. És livre.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
pesadelos I
(...) subia as escadas já gastas pelo tempo, acompanhado. Então vi-te a descê-las, na minha direcção, com o meu próprio sorriso (digam o que disserem, o teu sorriso é meu; fui eu quem te ensinou a desenha-lo). Olhaste-me nos olhos e abraçaste-me, com uma força que transbordou muitas palavras não ditas. E então disseste uma única palavra, a única palavra que tão desesperadamente preciso de tão dolorosamente perfeita ser. Não retribui como esperavas, conhecias o meu orgulho cego e fizeste-me a nossa pergunta enquanto eu já subia as escadas para me afastar rapidamente.
Olhei para trás. Vi-te ainda sorridente, mostrando orgulhosamente o teu sorriso, esperando que eu o retribuísse antes de virar a cara para deixar as minhas lágrimas caírem. Não tomei atenção na pessoa que me acompanhava na subida daquelas escadas agora tão dolorosas e corri para que não me vissem. Sentei-me encostado à parede do grande corredor e chorei um minuto inteiro. E mesmo sabendo que me tinham visto chorar, limpei as minhas lágrimas e trouxe a minha cara vermelha de choro às pessoas que me esperavam. Surpreendidas com um sorriso exuberante, claramente perceberam que o assunto nunca mais devia ser tocado....
M.S.; 26 de Junho de 2009
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
retenho-te
Reti tanta coisa de ti. Detalhes insignificantes que amaldiçoam cada dia da minha existência. Impurezas que me impedem de respirar; feridas que se acumulam em mim e se propagam impedindo-me de gritar por ti. Reti tanto que a enorme cicatriz em que me tornaste já não faz apenas parte de mim, em vez disso passou a ser-me de uma forma completa e dolorosa.
Há dias em que ainda ouço a tua voz e a minha memória representa-te numa conversa que parece ter sido ontem. Mas não foi ontem. Foi há tanto tempo que preferia nem saber quando foi (e o problema já nem é a de ter esta memória que deposita pormenores que em nada me são favoráveis). O verdadeiro problema reside na tua permanente existência e na minha incapacidade de te mandar embora (mesmo quando vais, sem mim). Retenho-te para saber que foste mais do que és, mas isso não me chega.
M.S.; 11 de Outubro de 2009
domingo, 6 de dezembro de 2009
não-querer
Recebe agora o que te consigo dar: nada. Por tanto tempo eu rastejei, exterminando os vestígios de energia existente em mim, para te dar tudo o que existia. Tudo, mesmo o que não me pertencia. Eu dei-te tudo o que me pediste e até o que te esqueceste de me pedir sem importar o quê e de quem era. Quem me dera acreditar que hoje seria diferente e que um pedido teu não teria qualquer importância em mim, mas sei que é(s) mais forte que eu. Se ainda te encontras aí, espero que me ouças e entendas que não existe mais nada que eu te possa dar. Tens tudo o que alguém pode querer, e não estar ao teu lado só me diz que não me queres mais.
M.S.; 14 de Novembro de 2009
sábado, 5 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Ausente.
Caminhei pela rua, sem destino. O vento era forte mas não conseguia levar tudo o que sentia naquele momento. O frio era muito, mas nem ele parava as lágrimas que me corriam pelos olhos. Sabia que era o fim. De tudo. Ouvi o rugido da chuva, longe, e logo senti a água gelada a queimar-me o corpo. O meu coração batia forte mas não se deixava ouvir; até ele desejava parar, morrer. Inconscientemente, ouvi-te, senti-te, cheirei-te e vi-te, mas sabia que não estavas ali. Não irias voltar mais. A multidão cruzava-se comigo na marginal e as luzes dos táxis que passavam por mim despertavam-me momentaneamente. Não sentia as minhas pernas e o tremer do meu corpo. Tudo estava às escuras, e eu caminhava cego. Aquela frase repetida na minha cabeça ensurdecia tudo o que me rodeava, gritava o meu desespero: “Não vais voltar…”. Dei por mim parado a caminhar num mar de apatia com a chuva tentando acordar-me, enquanto me afogava sem querer. Mas eu não acordei. Deixei que ela me afogasse e senti a dor a escorrer nas minhas veias sem saber onde te encontrar para curares a minha ferida. Ainda não a curaste. Ainda não voltaste.
M.S.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
pesadelos III

Foi preciso adormecer para sentir o teu abraço quente e doloroso. Senti-lo acima de tudo, enquanto mais uma vez me dizias palavras que só existem
M.S.; 30 de Novembro de 2009
