É-me estranho falar de ti, mesmo quando sinto esta ligeira saudade. Saudade da forma como me mordias o lábio inferior enquanto olhavas para mim com os teus olhos em fogo e quase me fazias sangrar. Era este fogo que nos caracterizava, uma química que se desenvolveu instantaneamente (e ainda perdura). Sei que não sabes, mas sempre que te vejo passar, sorrio. Sorrio sem razão aparente, como um louco que se lembrou de algo que lhe trouxe felicidade. Lembraste de quando estávamos juntos e as pessoas ficavam a olhar e comentavam a forma como estávamos? A forma como a nossa posição era ousada? Riamos muito, gargalhadas vividas. Não interessava o que os outros pensavam porque estávamos bem daquela maneira, bem demais.
Bem sei que a minha forma distante de te gostar era um desafio, e que muitas vezes nem nos falávamos, mas era isso que nos distinguia. Quando estávamos juntos, o mundo desaparecia. Ainda te lembras da forma como me puxavas para ti para colar os teus lábios aos meus? Ainda ontem me cumprimentaste assim. Dei-te a habitual chapada na bochecha e tu puxaste-me para ti com a mesma força de antes. Tens sempre aquele jeito diferente e lembrar-te faz-me bem. Alias, tu fizeste-me bem e não quero que restem dúvidas disso. Pode ser estranho recordar-te mas quando o faço sei que tudo o que vivemos teve a sua importância, em mim e em ti.
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