domingo, 31 de maio de 2009

don't wait

Não esperes que te molde para obter-te como te conheci, ou que te aprisione como fizeste comigo só para te ver infinitamente. Não esperes que não mude perante a minha nova realidade quando não estás a meu lado para me apontar as minhas mudanças. Não esperes nada de mim…

sábado, 30 de maio de 2009

quem?

Já olhei para ti muitas vezes sem recolher a pessoa que imunda a armação que criaste sobre ti. Já te vi de muitas formas e mesmo sem te conhecer eu encontrei sempre um assombre do passado que me indicava o mais doloroso dos caminhos até ti. Mas esta foi a primeira vez que olhei para ti e não vi nada. Perguntei-me quem eras, e só uns meros segundos depois eu vi que eras tu. A incredulidade debateu-se sobre mim.

Quem era aquela nova pessoa? Aquele novo olhar? Aquela nova expressão? Recusei-me a acreditar que eras tu, mas quanto mais o tempo passava mais eu ia reconhecendo as características que outrora eu via todos os dias. Era inegável que eras tu quem se encontrava perante mim. Foi a primeira vez que não te conheci de verdade, não soube quem eras. Não sei se chegou a doer ou se passou a correr.

M.S.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

transformation

Torno-me sempre nos teus defeito. Critico-te, julgo-te e sou-te. Acabo por me tornar o que antes já fui e deixo-me sê-lo. Os teus defeitos são o que sou e finalmente, já não há nada que possas tirar de mim.

M.S.

os meus

27-11-07 ‘Mas tas fdd?’

quinta-feira, 28 de maio de 2009

nunca, não dá.

Eu sei que não dá. O tempo não volta atrás e não está nas nossas mãos o poder de mudar o que aconteceu. Também sei que depois de tudo, eu sinto a tua falta e a dor de não te ter é-me imperdoável. Mas sabes, vejo sempre uma parte de mim a morrer quando te vejo… Não sei até que ponto consigo ser tolerante perante a falta que me fazes e isso obriga-me a uma série de pensamentos infinitos para que uma conclusão me ilumine, para descobrir uma forma de te fazer desaparecer.

Eu sei que após tudo o que se passou, se tu viesses ter comigo, eu não teria nada para te dizer. Queres saber como sei? Já o aconteceu. Só consigo dizer-te um limitado número de palavras e depois o silêncio rouba-me de ti. Não ia ser igual, nunca. E é por isso que tento perdoar-te, para ter a certeza de que quando te falar já não terei nada negativo a dizer. Para ter a certeza que sempre serás a personificação da melhor memória que alguma vez tive.

Muita coisa se passou entre tu e eu, e o tempo agrava sempre o que é deixado por concluir.

M.S.


quarta-feira, 27 de maio de 2009

vínculos

Eras o que fui quando deixaste de o ser. Sou o que és quando o és novamente. Repetitivamente somos o que éramos quando não o somos mais, mas acima de tudo, não nos deixamos de ser. Nós. Eu.

terça-feira, 26 de maio de 2009

coração

Que ao virares as costas, te despeças de mim. Só te pediria isso. Mas nossas costas já estão voltadas, afastando-se cada vez mais. Sentindo apenas o constante ecoar do que nos deu vida.

E ele morre, quando o teu está perto. Mesmo quando mo entregas, mesmo quando o som ensurdece. Não te olhes para mim se não queres ler o que os meus olhos te entregam. Não te morras para me dar vida se preferes que eu não exista junto a ti. Que leves contigo tudo o que deixas cair voluntariamente. Que ao virares as costas, te vás para longe de mim.

M.S.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

vitória nula

De todo o tempo que levei sem deitar palavras fora, este foi o que menos me custou. Consegui roubar as algemas da minha mente e prende-las no último canto da minha memória. Consegui tanto, mas foi uma vitória que durou muito pouco. O esforço a que me submeti foi anulado pelo simples sentimento da tua existência. A tua existência não existente mas tão presente. No mesmo lugar que eu, minutos antes ou até horas, tu estiveste. Mas não bastou o facto de saber que tinhas anulado qualquer esforço em vão que tenha feito, como também me deixaste provas para que as tornasse em mais uma mazela na minha existência.

Roubas-me tudo. Como se me conhecesses mais do que me conheço, sabes sempre o que me tirar para me magoar de verdade.

M.S.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Pela enésima vez...

‘(…) Let the God damn sunset and leave...’


in Huff

quinta-feira, 21 de maio de 2009

a tua queda;

- Ali ao fundo, consegues ver? Consegues ver-nos ali ao fundo? No fim daquele poço? Não, não te debruces totalmente. Vemo-nos daqui, ao pé de mim. Não caias, não te quero perder outra vez. Não consegues ver? Sou o único a ver o brilho longínquo dos nossos sorrisos? Sim, eu sei que eles estão longe demais mas… Pensei por momentos que ainda o visses como eu… Desculpa-me as tantas ilusões que crio em relação a ti mas quando me iludo que te tenho ao meu lado, não resisto ao exagero. Não quero mais, apenas aquele brilho que já tivemos juntos. Não preciso mais. Não, não caias. Não…! Porquê que tinhas que cair outra vez? Tinhas que ir atrás do brilho? Não te chegava vê-lo daqui, comigo? Recuso-me. Prefiro acreditar que tropeçaste e não te consegui segurar a tempo. Sim, caíste outra vez. E agora resta-me virar-te as costas. Resta-me tentar que o nosso brilho não me ofusque em demasia. Desculpa-me.

M.S.

resposta

Responde-me, pelo menos. Diz-me em que sítio te encontras. Em que lugar te escondes, em que espaço te ocultas. Remete-me as coordenadas do local onde o sol insiste em brilhar para ti. Deixa-o iluminar um caminho, deixa o vento propagar a tua voz para mim. Responde-me. Diz-me se a minha surdez provêm da tua mudez. Não me deixes afundar mais neste pedaço de areia. Diz-me que preciso de me aguentar, que não preciso de desistir. Continuas no mesmo local onde me perdeste? Não. Encontras-te num novo sítio onde me irás perder outra vez, num adeus sem fim…

M.S.


quarta-feira, 20 de maio de 2009

VII

Não tenho pensado em ti, e hoje quando ouvi a tua melhora fingi a mim mesmo uma surdez inexistente. Perdoa-me. Ando de tal forma enleado nos rabiscos que escrevo que não consegui um segundo de felicidade em relação a ti. Sorriste enquanto dizias as boas novas e eu ouvi-te sem deixar de me escutar. Este escudo invisível nem sempre me é positivo sabes? A minha protecção está sempre condicionada. E hoje não te retribui um sorriso porque tive o egoísmo de me tentar proteger. De não crias falsas ilusões perante o que me dizias.

Quero dizer-te mesmo sem saberes, que em retrospectiva, eu estou feliz por existires mais um dia sem que tenha que numera-lo ou temer que seja o último. Obrigado. Espero que me perdoes e entendas o esforço que faço para te ouvir. Estou sempre nesta espiral contínua suportando a dor de o fazer para que mais tarde o arrependimento te chame e eu saiba onde não te perdi.

terça-feira, 19 de maio de 2009

meu respirar.


Já escrevi muito sobre ti, sobre a pessoa que és e a pessoa que me/te tornaste. Mas nunca é suficiente. Todas as minhas palavras não chegam para te dizer tudo o que és, mas elas pertencem-te tal como eu. São poucas as vezes que te digo isto, e mereces que te abrace todos os dias e to diga ao ouvido. Uma e outra vez. Mereces que te agradeça todos os dias, nem que seja pela tua simples existência porque estou cansado. Cansado de não te ter a meu lado a cada segundo que passa. A cada instante que anseio viver-te e morres-me de não te existires em mim.

Continuo com saudades tuas. O meu sorriso só aparece verdadeiramente quando te situas a meu lado, ao meu alcance.


segunda-feira, 18 de maio de 2009

permanência

Apareces. Vês. Brilhas. Cegas. Destróis.

Observo. Sufoco. Caiu.

Reapareces. Ofuscas. Apagas. Matas.

Morro. Escondo. Sobrevivo.

domingo, 17 de maio de 2009

hell

Em que inferno me encontro? Que tamanho fogo me arde nas veias? Quanto fumo me impede de respirar? Que resta das minhas cinzas?

sábado, 16 de maio de 2009

permaneço.

As minhas palavras repetem-te. Vezes e vezes sem conta. E de todas as vezes que te repito, tu ouves-me ainda menos. Finges que o meu silêncio não te diz nada e continuas pisando os meus pés enquanto decido se sigo a estrada que me encara. Afastei, evitei, distanciei todas as vezes que te via em minha direcção, mas isso não te impediu de me fazeres ficar pregado ao chão. Os meus pés continuam presos, esmagados por todo o peso que me impinges. Não consigo ver um caminho a seguir senão o que te encontras, mesmo sabendo que não te encontras em nenhum deles.

Permaneço aqui, magoado por todas as vezes que me fizeste repetir-te e eu quis separar as minhas palavras de ti. Permaneço aqui, onde os caminhos que vejo são atalhos que me conduzem para o vazio. Permaneço aqui, sem ti.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

algo

Quando algo nos abandona preferimos não a ver mais. Preferimos que esse algo nos deixe de perseguir involuntariamente, preferimos que esse algo não nos faça cair mais. O seu esquecimento é sempre mais fácil se não formos obrigados a confrontá-lo. É por isso que esse algo nunca nos abandona verdadeiramente, permanece sempre tentando-nos, torturando-nos com a sua presença para nunca deixemos de lembrar o seu significado em nós.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

a verdade de mim

(...) Os risos que me abandonam são de outra pessoa que não conheço, as palavras de alegria que abalam de mim são de um reflexo já partido. A pessoa que vive em mim finge que tudo é completo, que nada mais necessita. Mas a verdade de mim, vê os dias a correrem sem que dê por isso. Sobrevive para viver mais um dia e puder dizer que o conseguiu passar sem que o mundo lhe caísse em cima. A verdade de mim não se conhece, e de tanto que tenta conhecer mais perdido fica.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

u

Pedaços, bocados, fragmentos, fracções sempre imperativas. Por mais pessoas que me envolvam com o som da sua voz, é sempre o seu silêncio que fala mais alto.

terça-feira, 12 de maio de 2009

tempo de reacção

Páginas e páginas que o tempo escreveu sobre ti. Tantas horas, tantos minutos e tantos segundos que derrubaram as palavras de ti. Só agora a linha do passado se cruza com a do presente, só agora a dor ganha um papel principal com tamanha intensidade. Tantas páginas que o tempo quis apagar, e que tanto tempo depois as reescreveu. O tempo falhou em apagar-te. E após tantos dias, tantos meses e tantos anos ainda te encontro aqui. Sentado ao lado do relógio, sempre retrocedendo os ponteiros com o teu nome.
O tempo deixou de curar, e as páginas que escreveu sobre ti continuam queimando a carne de quem as lê. Dói, e nem segundos, minutos, horas, dias, meses ou anos te apagam da dor. Tudo o que me dói, continua a ter o teu nome.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

domingo, 10 de maio de 2009

uma cura.

Ouvi dizer que havia uma cura. E sem hesitar corri para ser o primeiro a tê-la, para ser o primeiro a esquecer. Cada passo que voava em frente sem que me apercebesse, voltava atrás. Por mais que corresse, eu voltava sempre atrás, ao sítio onde queria estar de verdade. Então eu parei de correr, parei de tentar e tentei não sufocar com este ar que respiro há muito tempo. No fundo eu não quero uma cura, quero um novo sítio, um novo ar, um novo caminho que me deixe caminhar e apenas olhar para trás quando assim o escolher. Não quero esquecer, quero viver sem lembrar.

sábado, 9 de maio de 2009

tarde.

Já é tarde. Tarde demais. Já não quero ouvir qualquer tipo de palavras, ver qualquer tipo de gesto. Já não te quero sentir ou supor que te sinto. É tão tarde. Tarde demais, para o que for.

Já fechei o livro onde agora vive cada palavra escrita sobre ti, e mesmo assim, eu repito-as. Uma a uma para que repares, agora ou depois que, é tarde. Não olhes para mim mesmo quando imploro outra vez o contrário. Sem o teu olhar sobre mim eu consigo finalmente ver com clareza. Já é muito, muito tarde. Atrasaste-te e mesmo não sabendo para quê, sinto no ar que respiro os segundos detalhados do teu atraso. As horas a mais que fiquei esperando por ti são agora inúteis, e tal como tu, elas desaparecem tarde demais.

Mas nunca tarde o suficiente. Nunca antes de me magoarem, nunca antes de me roubarem o que ainda resta.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

123?

Não, ninguém. Podes falar. Deixa-me ouvir-te e perguntar de volta. Deixa-me esperar pela negatividade da tua resposta para que o ciclo não se quebre. 123? Não, ninguém. Ninguém de todo. Pergunta-me outra vez, ou deixa-me perguntar-te. Não quebres o ciclo. E mesmo sendo tarde de mais, ainda sabes o seu significado?

quinta-feira, 7 de maio de 2009

vestígios

Quando olhas para mim, e revejo-te por detrás de tudo o que agora és, quase que consigo distinguir-te. E mesmo às vezes, eu quase consigo ouvir a tua voz. Tirando isso, não me resta mais nada, é só isso que tenho. É só isto que me dás. Vestígios. É então que me sinto a desaparecer em cada segundo que passa. Desaparecer por entre estes pequenos vestígios que se agarram às minhas pernas, impedindo-me de correr. Engolindo-me para um sitio onde tu olhas para mim e quase que te ouço como antes.


quarta-feira, 6 de maio de 2009

chuva.

Começou por volta das 4 da manhã, uma pequena dor que me despertou de uma forma abrupta mas com alguma insignificância. Agora, são 5 da manhã, e ouço a chuva. Chuva que não existe, mas que atormenta o meu pequeno ser. Este bater constante diz-me palavras que delicadamente me continuam a enfraquecer. Não sei ao certo o quanto tempo que me resta. Provavelmente, o relógio irá tocar daqui a pouco, anunciando a mudança de hora e a chuva ainda se mostrará altiva no seu som inexistente.

Reparo que não é chuva, é apenas um som. Um som que conheço como a chuva, um som que trato como um amigo. Não é chuva, são lágrimas. E no fundo são o mesmo. Ambas molham, ambas arrefecem na pele e congelam como cristais que a rasgam. De qualquer forma, dói. Não dou pelo tempo passar, e já o sol deve ter anunciado o início de um novo dia. A coragem para lavar a chuva que habita em mim é nula. Vejo as horas correrem junto a ela, junto a esta chuva que não me deixa encontrar um ponto de seca, ou de ebulição.

Olhei para o relógio e confirmei as minhas suspeitas. Já são 7 da manhã e dou-me conta de que foi mais uma noite em branco, chamando por mim e não por ti. Chamando e chamando, vindo apenas a chuva. Chuva que nunca me larga, que não me deixa encontrar a protecção de ti, do tempo.

terça-feira, 5 de maio de 2009

esperei que...

Espero um pouco; não por ti, mas por mim. Espero que ao esperar me saiba encontrar; não em ti, mas em mim. Para respirar, para viver. De qualquer forma continuo a esperar por me encontrar, e se não resultar espero por ti. Para que me encontres e me ensines o caminho por que tanto espero. Mas, se já te conheço, sei que as tuas acções mentem e irás mostrar-me um caminho que apenas me fará esperar mais.

Esperei que se esperasse, irias no mínimo ver a minha perda. Esperei em vão…

segunda-feira, 4 de maio de 2009

parece-me

Parece-me tão cedo, e tão tarde. Parece-me tão fraco, e tão forte. Parece-me um intermédio de nada, uma negação positiva. Parece-me demasiado quando é tão insignificante.

domingo, 3 de maio de 2009

03'Maio.07 II

Após seres responsável pela queda de todas as estrelas que habitavam no céu, deixaste-o numa escuridão tal que nem ao vazio se assemelhava. Mas a queda das estrelas de nada importava comparado com as tuas lágrimas, o mundo não caía verdadeiramente até que caísses primeiro. E quando te via firme ao meu lado, segurando-me sem me tocares ou puxando-me para o meu caminho só com um gesto, eu sabia que nada mais existia ou importava. Eras tu quem permanecia na minha existência, transformando-me no muro que nunca ousaram derrubar. Eras tu…

De nada importa que o mundo esteja a ruir quando não te encontro ao meu lado, e de todas as estrelas que caíram sem que eu desse conta, foste tu quem fez a maior cratera.

Agora entendo na vastidão da escuridão que embora sejas a marca mais vincada na minha pele, fazes parte de um passado que irei (a)pagar, mesmo que continue a sentir a tua falta para o resto da minha vida. Fazes parte do meu passado, da minha história e principalmente de mim, e no entanto nunca me vi tão na escuridão, tão sem cor. Mas no fundo já nem a cor importa quando o céu deixa de brilhar e o mundo acaba por ruir, tudo parece insignificante, excepto tu.

Tentarei viver, até que deixes de ser uma excepção, prometo (pela última vez) … mas até lá, continuo a ver o teu olhar nos cacos do nosso reflexo partido e é ele que me ilumina desta tamanha escuridão. Sempre ele, sempre tu.