quinta-feira, 30 de abril de 2009

apontar o dedo

Eu sei que não há como fugir aos dias maus. Aos dias em que apagam totalmente os outros que penso serem bons. Não há como escapar à dor que se reflecte na minha cara. E então eu vejo a tua cara. Não consigo suportar a dor nos teus olhos afogados nas memórias. Não consigo olhar mais para ti.

E então, eu escrevo. E não tens o direito de me criticar. Não podes criticar a minha forma de colar o que tu partiste. Não tens o direito de me fazer olhar para ti quando só quero virar as costas. Não podes.

terça-feira, 28 de abril de 2009

ignorando(te)

A infelicidade de recordar este dia é a realidade que me atormenta. E a verdade é que apesar disso, no dia em que te esqueceres de me virar as costas, eu estarei aqui. Sem qualquer sombra de dúvida sobre o esquecimento da minha dor diária. Mesmo que a ferida nunca cure. Eu estarei aqui, a sangrar ou não, metendo-te sempre acima de tudo, até da minha dor.

E até lá, recordo sem recordar. Não sei o que te tornaste e é isso que escolho ignorar.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

=)

'...Eis a verdade sobre a verdade: magoa. Por isso... mentimos.'

in Grey's Anatomy

sexta-feira, 24 de abril de 2009

-.

(...) I guess it's time I run, far far away...

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Para Sempre.

Agora posso dizer que sinto a dor literalmente dentro de mim. Já não é sangue que me corre nas veias… A dor é difícil de apagar, os cortes sangram o sangue que já não conhecia a existência. E de todas as surpresas que já impingiste esta foi a mais dolorosa; a tua existência. Deixa-me ir, ou então parte para longe. Pára de me fazer sangrar quando só quero curar cada corte que encontro em mim.

De certeza que já te disse que me magoas em demasia? Após tantas vezes que o penso ter dito, caiu na incerteza e volto a questionar-me. Já te disse, mesmo, que me magoas por demais? A minha dor responde-me negativamente várias vezes por dia, e o hábito, a rotina de a ouvir falar por tua vez já é banal. Mas não hoje. Não quando não esperava este tipo de resposta da parte dela, da tua parte…

As horas ainda continuam passando muito habituais. Perfurando cada corte, que ainda insignificantemente existindo, dói. Tem doído muito. Pára de me dizer estas palavras, não quero acreditar nelas! Não quero ouvi-las mais, recuso-me a respirar a dor que elas me fazem. Não hoje, não. Deixa-me esconder a dor, deixa-me olhar para o mundo com os olhos de alguém que sempre brilhou com o sorriso. Deixa-me existir por mim e não por ti. Não vejas a minha dor, deixa-me vivê-la dentro de mim. Eu aguento, eu aguento sempre.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

perseguição

Ultimamente tem sido pior. Tem doído mais do que o habitual. Já não magoas somente a mim como também as recordações que tenho já escassas de ti. Esta perseguição começa a trazer tamanha dor, e nunca pensei que ver um sorriso me fosse tão prejudicial ao ponto de me destruir por dentro. Nem tens noção do que me fazes sentir por dentro.


terça-feira, 21 de abril de 2009

sabias?

Ainda agora me perguntei se realmente existes. Se por detrás de toda essa armadura tu ainda brilhas ou emites uma qualquer espécie de luminosidade que ainda te identifique. Sabias que quando abro os olhos, espero sempre que não contamines o meu campo de visão?

segunda-feira, 20 de abril de 2009

quanto mais?


Quantas vidas são precisas para que me mates de vez? Quanto precisarei de estar a teu lado para que sinta finalmente a doce golpada no meu sangue? Quantas vezes terei que me despedir de ti para que sinta finalmente que partiste? Pensei em ti o dia inteiro e de cada vez que te pensei, eu morri-te ou matei-te ou suicidei-me. E de cada vez que te pensei, morri-te, matei-te ou suicidei-me tu existias ainda mais em mim.

Quanto mais chão precisarei de pisar para que me afaste de ti?

Stay away from my dreams. STOP!

domingo, 19 de abril de 2009

voz

Ouvi uma voz que chamava por mim, uma voz que tão dolorosamente me prendia ao chão impedindo-me de dar só mais um passo, o último passo. Soube quase instantaneamente que a tua voz, que eu ouvia tão sonoramente mesmo sem abrires os lábios, não me queria junto a ela. A tua voz chamava-me para que apenas a ouvisse. Para que eu permanecesse naquele lugar, sem coragem para olhar para trás, ou pior ainda, para que ganhasse coragem para dar o passo que tanto ansiava.

Ainda ouço a tua voz, chamando-me, não para me ter junto a ela mas para me deixar neste instante. Preso nas correntes das memórias, em frente a ti, para que consigas saber que eu ainda te ouço e ainda te espero.

sábado, 18 de abril de 2009

não me escapou

Não me escapou. Eu reparei aquele outro pequenino gesto. E apesar de não me ter afectado como esperava, descobri um novo problema. Aquele pormenor deixou-me vazio. Não senti nada, e é aí que se encontra a problemática da situação. Não houve uma ligeira dor na zona abdominal, ou um tremer de mãos, ou até uma súbita vontade de olhar para outro lugar. Absolutamente nada. E isso afecta-me porque deveria sentir no mínimo felicidade por ter conseguido ultrapassar, e no entanto é exactamente o contrário.

É por isso que sei que o que sou é o que não sei, e estou positivamente consciente da inconsciência do meu ser. Resumindo, não me encontro nas respostas às perguntas de onde pensei me encontrar, … E então? Mesmo que não saiba o que sou, ou o que sinto, ainda existo e terei tempo para descobrir mais uma incógnita de mim. A minha incógnita. Eu e não tu, ou tu e não eu. Alguém que se assemelhe a mim, a ti, que já não exista. Alguém que eu queira de verdade voltar a conhecer.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

diamante

Sempre irás brilhar. Cada vez que te ver, ou cada vez que te sentir. Irei sentir o calor da tua luz na minha cara e os meus olhos (encandeados) irão chorar-te, mas não será por ti mesmo que seja a tua luz quem rouba as minhas lágrimas. Sempre serás um diamante em bruto que mostra o seu brilho ao mundo sem que o mundo se aperceba, e permanecerás dentro de mim sem fim. Irás relembrar-me que o teu calor não cura as feridas que me marcam, ou apaga as páginas que deixaste no meu corpo. E irei permanecer contigo em cada pequena porção de mim, que tão insignificante te pertence, mesmo sabendo que os diamantes não se partem.

É preciso cortá-los para moldar a sua luz ou até para apagá-la quando o assunto és tu.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

nightmare

Mais um sonho, foi apenas mais um sonho. E vou tentando dizer isto a mim mesmo para que me vinque de tal forma que passe a ser verdade. Foi apenas mais um sonho, só isso. Foi? Não. Foi apenas mais um pesadelo. Dos que doeram mais, dos que me mataram mais, mas pelo menos não aconteceu na realidade. Foi só mais um. Vinca em mim, por favor. Foi só mais um.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

cinzas

Hoje não consigo descrever a dor que se nutre de mim. Não consigo explicar o quão difícil é para mim sentir esta queimadura dentro de mim, ardendo lentamente, torturando ferozmente. Hoje não consigo esconder, não consigo. Arde tanto…

terça-feira, 14 de abril de 2009

'Let me sign'

Não sei se algum dia irás entender e desconfio seriamente da minha capacidade de ensino e paciência para tal, mas quero que saibas que preciso de viver e para isso preciso de te matar em mim e deixar-me morrer em ti. Preciso de partir todos os espelhos que já te/me reflectiram e escutar apenas todos os sons que não te identificam. Preciso de reaprender.

Sem qualquer demora, queria apenas perguntar-te se são suficientes todas as lágrimas que gritam o teu nome desde o instante que caiem dos meus olhos até ao chão que apenas tu pisas. Consegues responder-me? Ou melhor, consegues ouvir-me? Vejo-te olhando para mim, para as palavras que não te digo e no entanto a tua ausência desconhece o meu nome. E sem mais demora, não encontro mais para acrescentar a questões que não têm resposta e então mantenho-as no ar até que as agarres com a mesma força que me puxaste para este vazio tão aflitivo, porque ao menos assim sei que encontrei a minha resposta e mesmo que não me agrade irei saber que as minhas lágrimas gritam o nome certo.

Desculpa se não te consegui fazer entender a importância que tiveste sobre o que fui e acima de tudo sobre o que já não sou. É apenas tua a culpa de me ter tornado no que sou e é por isso que peço perdão, por não ter agarrado a tua culpa com a mesma força que me mostraste que a vida é muito mais que a tua tão insignificante e tão importante existência.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

acorda-me

Acorda-me deste sonho que tão docemente escolho não sonhar. Abana o meu ombro despido que se situa ao lado do teu, e traz-me de volta ao infinito de pequenas superfícies que te caracterizam. Abre-me os olhos com o passar da tua mão no meu cabelo, e diz o meu nome com a voz que sempre conheci mesmo antes de existir em mim.

E se conseguires acordar-me e tirar-me da tortura que apelido gentilmente de sonho, acorda-me outra vez porque se os meus olhos te alcançaram sei que sonho a minha maior tortura, outra vez.


domingo, 12 de abril de 2009

imaginação

Entendi finalmente que já não escrevo para ti. Nem para ti ou para um outro alguém. Escrevo para quem eu imagino que escrevo, uma pessoa inexistente que eu imagino que és tu.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

diferenças

Não quis inventar mais palavras, ou até acusações que te quisessem ferir. Da minha parte não havia mais nada que fosse teu, excepto eu. Os meus poros sufocam de cada vez que me imagino perto de ti, como se te tratasses de um oceano infinito com uma película inquebrável que me impedia de o abandonar. E mesmo com tanta vontade de respirar eu não te acusei de mais nada, não atirei palavras porque sabia que iriam voltar para mim, como um ricochete que me iria ferir por demais. Aguentei este inferno a que me habituei a chamar de alma, e entreguei-o bem quente para as tuas mãos que impressionantemente me queimaram de tão gelado que me tornaste.

Não ousei olhar para ti porque já conhecia o ardor que me causaria. Não permiti a mim mesmo escutar a tua voz ou sentir o teu odor. Não deixei que eu me tornasse no que sempre fui junto a ti. Deixei-te ao meu canto, tirando-te o ar que usas para respirar para que eu pudesse sobreviver. E foste tu quem não sobreviveu, mas continuo a ser eu que vivo morrendo por ti.

Então que diferença faz se me encontro no fundo do teu oceano, no buraco que cavei contigo para que me enterrasses, ou no imenso oxigénio da tua ausência?

quinta-feira, 9 de abril de 2009

mais um passo.

Nunca um algo me tinha custado tanto. Nunca um algo me tinha levado tanto tempo a decidir, a precaver cada passo que iria dar. E pensando bem é apenas um detalhe, insignificante para alguns, mas não deixa de ser um detalhe. Uma peça de um puzzle que permite conclui-lo. Custou, e foi eternamente doloroso. E mesmo que o puzzle nunca seja concluído, eu tomei uma atitude para me puder libertar das correntes que disse teres sido tu a prender-me.

Não deixou de doer, e suponho que não vá deixar até muito muito tempo, senão mesmo para sempre, mas é apenas um detalhe. Um pequeno detalhe, que dói tanto… O fragmento caiu finalmente e agora consigo levantar a cabeça, sem o peso a que me submetia. Nunca um algo me tinha custado tanto e no entanto foi apenas mais um passo para atingir a meta que tanto quero alcançar.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

odeio-te de verdade

Todos os dias eu encontro-te no meu pensamento. Fugindo-me por entre as memórias para que não te consiga alcançar. Roubando detalhes que não quero perder juntamente contigo. Banindo imagens novas que ameaçam o teu lugar insubstituível. E por tudo isso eu odeio-te. É uma verdade, e ainda mais o é de tão mentira ser, mas odeio-te de realidade. Muitas vezes de cada vez.

Todos os dias expulsas o que tenta brilhar para me afogar na tua escuridão, engolindo-me em sons, e em cheiros, e em músicas, e em imagens, e em tudo o resto que tão insignificantemente me marcou com infinitas cicatrizes minúsculas que me atingem diariamente. E assim eu odeio-te porque me fazes sofrer, mesmo que não queiras, mesmo que nem o repares. E acima de tudo odeio-te. Porquê? Porque não te consigo odiar, nem mesmo quando pisas o sangue que escorre de mim e sorris por ver-me no chão aos teus pés.

terça-feira, 7 de abril de 2009

calorVSfrio

(...) Vejo o vento abstracto correr pelas árvores e mais uma vez não o sinto. Nem quando me empurra, e se ao menos ele pudesse empurrar-me para longe… Não há curas para tamanho vazio, para esta espécie de frio.


segunda-feira, 6 de abril de 2009

VI

Ainda não te tinhas ido e já sentia o teu sorriso a desvanecer, a tua presença a fugir da minha, os teus passos tão lentos e tão penosos ganhando vida para longe de mim. Ainda não te tinhas ido e já não te conseguia encontrar por mais que procurasse. O teu calor já desapareceu… E ainda aqui, eu não te encontro.

Ainda não te tinhas ido e eu já te escrevia no pretérito, sem que não estivesses ao meu lado enquanto eu imaginava a tua sombra a roubar luz para o teu lugar. Ainda não eram horas de estar contigo e já tinha esquecido a tua morada ou o local para onde os meus passos iam automaticamente.

Ainda te recordo, quando horas a fio eu passava ao teu colo e tu me contavas infinitas histórias que na verdade nunca existiram. Ainda te procuro quando sei que estás apenas a 5 passos de mim, e sou incapaz de te saber descobrir. Ainda estás aqui, e em tão poucas palavras eu não te consigo dizer na verdade a dor que me dá de te saber que dói e falta que me vais fazer quando deixares de existir na minha realidade…

domingo, 5 de abril de 2009

casadecampo

Dói estar nesta casa, navegando nas memórias mortas de ti. Custa olhar para a mesa da sala e ainda ouvir o barulho de cada vez que batias nela sem intenção. Também custa estar sentado no sofá e a televisão ligar-se automaticamente num programa agora inexistente que já vi contigo. Custa inteiramente um infinito de pequenos pormenores. Detalhes espalhados ao acaso que alguém (tu) muito conveniente se esqueceu de levar consigo. Mas o que custa verdadeiramente é ter que percorrer cada centímetro desta casa e ver-te em todos eles, como o oxigénio expandido sobre tudo o que existe.

Não quero estar aqui ofuscado em cada segundo que é teu na história desta casa, não sou capaz de viver numa casa que ainda hoje é mais tua que minha.

sábado, 4 de abril de 2009

daddybday

É apenas mais um dia no planeta Terra mas para ti é o dia em que tu és o planeta Terra. Esperava conseguir oferecer-te um sorriso mas nem isso está ao teu alcance, e não me interpretes mal, queria mesmo sorrir para ti nem que fosse por um segundo para te mostrar algum afecto, mas é escusado. E por muito que hoje seja o dia em que pensas existir ainda mais acima de todos, não difere na ausência que plantaste em mim.

Espero que o que consideras ser a minha existência chegue, tentarei mostrar que estou ali mesmo que a minha alma tenha fugido há muito de ti. Parabéns. Ainda desejo não te ver, cada vez que o acabei de fazer.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

fénix

Só me encontro na luz quando o sol não direcciona para mim, quando a sombra apaga as minhas pegadas e salienta as tuas. Só me equilibro quando me vejo a caminhar na corda mais fina e quando sei ter de o fazer para chegar até ti. Só sou eu se me encontro perdido em ti ou se nem me encontro de todo. É absurdo que tenha levado tanto tempo até perceber que não sou o que devia ser.

Eu devia estar ao sol, as tuas pegadas deviam ser apagadas pela minha sombra e quanto a encontrares o equilíbrio não há muito a dizer visto que nem no chão te encontras bem. Já te tentei ensinar a voar, ao meu lado, e caíste para que eu caísse contigo, mas chega. Encontro-me perdido em ti tantas vezes que de todas essas vezes eu morri para renascer e ser outra vez a mesma pessoa. Tenho mesmo que mudar as cinzas de onde renasço.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

( )

(...) And when the stars fall I will lie awake
You're my shooting star.

» Goodbye To You,

quarta-feira, 1 de abril de 2009

J-a-G

contágio

Não te tenho mostrado o que já senti por ti, eu sei, e sei também que não tenho sido o que me ensinaste a ser mas não o faço ao acaso. Não quero demonstrar atitudes erradas, ou insinuar que venceste uma batalha invencível. Os meus passos são penosos e as ruas são tão estreitas que mal consigo encontrar sítio para te pôr a meu lado, mas mesmo que encontrasse, não entendo se dentro de mim te queria colocar…

Tenho sido mais difícil do que o habitual, eu sei, e sei também que o que ouves de mim não tem sido as minhas palavras mas não o faço por acaso. Continuo procurando uma protecção, uma cura. Não te quero contagiar.