Não vou mais escrever sobre ti… Não vou, digo, mas no fundo de cada afirmação destas que faço a mim mesmo prometo contrariamente que é só até sentir a tua falta. Esqueço-me ingenuamente que sinto a tua falta a cada segundo, em cada ar que bombeia o meu coração. Prometo não te esquecer, não deixar de te sonhar, ou até prometo que não irei existir sem ti, mas nada disto importa.
Volto sempre a ti quando não o quero fazer, e isso faz de mim um fraco. E direi a mim mesmo mais uma vez que não deitarei palavras ao vento sobre ti, mas sei que no fundo de cada afirmação destas que faço a mim mesmo, minto-me.
Odeio-te muitas vezes. Chego a odiar-te mais que odeio o ódio, ou então confundo a raiva que tenho por ti com algo no mesmo estilo e género, mas odeio-te muitas vezes. Muitas mesmo. Mas não é todos os dias que te odeio como hoje, com tanta frustração, com tanto amor ao ódio que tenho por ti. Espero que estejas feliz porque se era um objectivo de vida fazer com que eu te odiasse, hoje isso aconteceu mais que nos outros dias.
Volto as costas por cada ausência que vive em mim, escondo o orgulho ferido na máscara que me socorre, dou passos cautelosos sem tirar o olhar do meu caminho. Deixo-me passar por memórias que me viram enquanto fugia delas, e não descubro a minha existência.
A minha alma ainda grita, e sem querer apressar, espero descobrir uma cura que me traga uma nova face ou quem sabe um novo eu. Recorto as já recortadas imagens do que fui e imortalizo essa pessoa em cada segundo que passa. Fui tanto que agora vivo perdido nessa existência passada. Ainda dói a procura do meu ser.
Cada vez que escrevo sobre ti fica a vontade de te dizer tudo o que faltou, pedaço a pedaço sem margem para dúvidas, ou incertezas por explicar. E é então que as palavras me faltam, como o ar que preciso de cada vez que te relembro. Esqueço o que tinha para dizer e acabo por dizê-lo apenas para que não saibas o que me trouxe às palavras uma vez mais.
As horas passam tão dolorosas e as palavras escorrem-me como o sangue da ferida que ainda não sarou, ferida feita por ti, só por ti.
Juro a pés juntos que não te compreendo em situação alguma. E podes ser muito, até podes ser quase tudo, mas se o és ando completamente perdido neste mundo. Já não experimento na garganta a dor de te entender, felizmente, e quando te encontro penso que podes ser muito, até podes ser quase tudo, mas se o és… Não entendo o que é da minha alma.
A maior parte das vezes não te descubro nas tuas palavras, e compreendo com bastante dificuldade que no fundo até que não és quase tudo. Foste apenas um começo que terminou repentinamente e que me atormenta para que volte ao início. Juro a pés juntos, não voltarei atrás nem pelo quase tudo que ousei pensar que eras.
Não tenho pressa para sair do lugar que abomino. Torno-me complicado só de pensar que tudo o que digo é realidade, e não sei onde me levam as minhas palavras, mas sei que não encontro o que me puxe deste sítio onde estou.
Vejo-me tantas vezes aqui fechado, afogado nas trajectórias que já quis percorrer e relembrando vezes sem conta (vezes de mais) as que já percorri. Não sei o que me cativa neste lugar mas é meu, e habituei-me a vivê-lo. Como aconteceu contigo. Habituei-me a ti como vivo este novo lugar onde me deixaste.
Não recordo onde vivia antes, de tanto tempo que já passei aqui sem ver as horas fugirem de mim. Mas neste espaço continuo esperando, sem pensamentos de fuga escapando a minha mente. Tornou-se vital para mim, e nem o desejo por amnésia me mantém são. Aguardo pacientemente num local onde não me escorre o desejo de sair e se tiver que acontecer, fujo da fuga e deixo que a escuridão me camufle.
É uma pena que seja a escuridão quem me abraça, e não tu…
Já nem uma pessoa conhecida tu és, não faço ideia quem, em quem te tornaste. E vivo ignorando aquele alguém que me encontra diariamente, vivo perguntando quem és enquanto me tratas como se nada fosse. Ignoro (-te).
If it takes away the pain it's all right we're livin' so hard you might not make it through thenight follow the bright lights they might change you if you get lost along the way it's all right (...) if you get caught out in the storm it's all right you're livin' so hard you can't stay fry when you're out tonight stare at the bright lights they might blind you look at them too long and you might see it's all right (...) be what you believe stand up and break free be what you believe bright lights can't seewe'll find another way to dance we'll find another way to dance if you get the chance you must dance, dance dance
(...) Sinto tanto a tua falta sabes? Por vezes não consigo controlar até que ponto o faço e deixo que me domine. E choro, derramo lágrimas por cada momento que como tu desapareceu em mim. Vejo-me fraco, sinto-me sem reacção enquanto as lágrimas cobrem a minha expressão apática.
No fundo não é real. Sinto tanto a tua falta que expludo para que me deixes, e não encontro sentido nisto.
E mais uma vez, em apenas breves instantes senti-me morto por dentro, como se aqueles escassos instantes tivessem arrancado a vida que havia em mim. Vi-te e perguntei o que já perguntei pela milésima vez, mas desta vez obtive resposta da pessoa que estava ao meu lado, uma pessoa que não me conhece profundamente e mesmo assim viu com clareza o que eu deixei de querer ver.
E mais uma vez, as palavras fugiram de mim e deixei o silêncio responder a mim ou a ti, se decidiste capturar também o meu silêncio. Suspeitei que os meus passos iam em tua trajectória como habitualmente, mas só quando me encontrei no lado oposto a ti me apercebi que os tempos eram outros. Tudo mudou um pouco aos poucos, e só mais uma vez, eu fiquei ouvindo o meu silêncio responder ao teu e os meus olhos tocando o chão que pisavas esperando para que viesses ter até mim. Para me falares, para me responderes, para me ouvires, ou até para me magoares uma última vez...
Já tentei, todos os dias em que acordo e me sento a pensar. Já quis, todos os momentos que respirei menos um pouco. Já fotografei, cada instante que sabia que ia perder. Já desesperei, por uma memória menos acentuada. Já vivi, momentos de intensidade mínima ou máxima. Já acordei, querendo voltar ao sonho que estava a ter. Já fugi, uma ou outra vez. Já lutei, perdi, levantei-me e fui à luta. Já chorei, e continuei sem que mais ninguém quisesse ver.
Já fiz tanto e tão pouco que agora sofro por não conseguir mais tentar, querer, fotografar, desesperar, viver, acordar, fugir, lutar e chorar.
Ainda não consegui entender o que provoca este abismo em mim…
Dói quando relembro, mas a dor também ataca quando me esqueço de lembrar. Dois caminhos tão simétricos, tão iguais, como tu ou eu, dores iguais para situações (não) tão diferentes. Ainda ontem doeu porque me lembrei de te perder, e hoje não te encontro na minha dor. Não há reacção em mim e este vazio continua a doer, não sei bem porquê, ou se sei esqueci-me de saber e a culpa desta dor é minha (e não tua).
Eras tu quem eu encontrava ao meu lado quando acordava, eras tu quem me abundava de felicidade mal os meus olhos decidiam abrir para mais uma batalha diária. Foste tu que quando fugiste dos meus olhos, eu continuei a ver quando os abria e ainda foste tu que eu quis apagar do meu campo de visão.
Foste tu quem eu consegui apagar, e és tu quem agora vejo sem querer encontrar. Quando dou um passo por caminhos noviços que se abrem perante mim, ou quando viro as costas a uma dor que se debruça. Foste tu quem eu tanto lutei para apagar e és tu quem me surpreende diariamente com o mesmo sorriso que me acordava.
Continua a ser para ti que eu sorrio mostrando-te muito menos do que queria, muito mais do que devia.
Neste mar eu decidi navegar. Seguindo os caminhos que o vento escolheu para mim, e saltando sobre as ondas que me tentam derrubar. Neste mar eu decidi esquecer. Não tocar nas feridas que encrostaram na memória, e relembrar sempre que evitar nunca cura. Neste mar eu decidi escutar-me. Ouvir o coração que tantas vezes se protegeu, e não temer o horizonte que brilha para ele.
Neste mar eu fugi da felicidade, mas ela não me evitou. Mostrou-me as minhas feridas vezes e vezes sem conta ensinando-me a ser imune a elas, mostrou-me que as recaídas existem sempre para quem viveu anteriormente a maior das felicidades e conseguiu que o sorriso superasse os momentos menos bons.
Sim, neste mar eu vejo todos os dias o pôr-do-sol e durmo sobre a luminosidade das estrelas e é isso que me faz ser o que sou. Alguém que confia no seu mar, por muito que as marés mudem.
Quando se passava pela parte de trás da casa era possível ver-se uma janela, que no meio das flores que enfeitavam o quintal, se distinguia. Não havia uma explicação lógica para o porquê de aquela janela ser mais que todas as que a rodeavam, simplesmente o era. Se alguém decidisse olhar fixamente, tentando decifrar o que guardava de tão obscuro aquela janela, não o conseguia. A escuridão que provinha dela era imensa e aos poucos trazia a noite para dentro dela.
Na casa de onde provinha a janela, vivia uma família. Nessa família, a comunicação era bastante importante e ainda mais escassa. Havia uma pessoa dessa família que nunca era incluída, mas a culpa era dela. Sem entender porquê os restantes familiares afastaram-se, e só a ignorância ficou como sua companhia. Reinava na casa, na sua divisão particular, perdurava durante horas até a sua altura de dormir.
Ouvindo os passos dele, a pessoa que estava no quarto de onde provinha a janela, vivia odiando-o secretamente. Torturado pelos passos que ouvia, pelas vozes que escutava. Essa pessoa por vezes chorava, mas não pelo rei da casa, por ela própria. Era um triste facto, uma história que nem todos conseguiriam entender. Aquela pessoa vivia desejando um silêncio a que ele se tinha acostumado e a escuridão que existia no quarto. Refugiava-se nos abraços da última pessoa da família e depositava a felicidade no seu ombro.
Era assim que vivia aquela família, nem sempre alegres, mas nunca infelizes de si. Habituados ao que se tornaram. E então um quarto membro decidiu abrir a porta de casa, trazendo um sorriso que em breve iria desaparecer. Foi então que sem aguentar mais, a porta do quarto de onde provinha a janela foi fechada e lá dentro a pessoa quis fugir. Não iria aguentar uma nova perda, uma nova derrota, um novo adeus. Sem querer escutar, olhava sem ver. Aprendia agora uma nova forma de existir, a de esperar pelo inevitável . Quis esconder-se no seu mundo, mas não chegou a encontrá-lo.
De todos os sonhos que tive sobre ti, este foi o mais real (e o mais doloroso). É duro quando te encontro nos meus sonhos e até lá ter que te virar as costas. E custa, quando acordo, quando sei que na realidade nem tive tempo para te encontrar e fazer o mais certo. Quando é que isto acaba?
Foram precisas multidões de pessoas sem te encontrar. Foram precisas palavras terem sido desperdiçadas vezes sem conta. Foi preciso tanto para conseguir mostrar a mim mesmo que não irei conseguir salvar-te de ti, não irei conseguir abrir as portas em que te trancaste, e libertar-te das teias que espalhaste sobre nós.
Continuarei perdendo-te por entre as multidões. E as multidões levarão também de mim a dor. Não conseguirei encontrar-te mais e consequentemente a dor aparecerá tantas vezes como tu: quase nula. Mas não importa mais, sabes? Encontrarei sempre o sorriso rasgado que transbordas de cada vez que me encontras, e perguntar-me-ei se alguma vez te consegui entender.
Irei escutar outra e outra vez o teu silêncio em busca de respostas, e ele irá mostrar-te o que já sei. E é por ele que continuarei perdendo-te por entre as multidões. Perdendo-te para não te encontrar mais, com o sorriso que só demonstra a tua tentativa falhada, a tua vitória sobre o nosso tempo, o teu fracasso sobre ti mesmo.
I still see your coat hangin' on the door, Never let anybody put one there before My pillow's got your head printed on it (...)
I hear your footsteps in my corridoor But it is just my heart, it's pounding like before Wish I, could try But I just can't say goodbye No not, tonight No, I just can't say it(...) 'Cause the ground is breaking, I can feel it shaking Wish it was that easy, But it's not that easy Gotta hold my hands up, Gotta keep my head up Gotta keep on breathing,(...) Even if we're sinking(...) 'Cause I'm gonna hold on Yeah, I'm gonna hold on (...), gotta keep holdin' on to what we had 'Cause I don't wanna move on So I gotta hold on (...) because you and me are sinking like quicksand
Only got one life to live, We don't even need a piece of sand Only you and me, We need to hold on and hold on and...